São Paulo, 13 de Janeiro- TERÇA FEIRA

Faz dias que não escrevo e vou relatar os acontecimentos desses últimos dias. Está extremamente quente esses dias de Janeiro! Sábado saímos com as crianças, fomos almoçar no restaurante e compramos algumas coisas, dentre elas, compramos duas redes! Nem vou detalhar o quanto as crianças estão se divertindo! Rede e a piscina, eu já estava querendo fazer isso a muito tempo.

Me alegro muito com as crianças, eles sabem se divertir. Só as crianças mesmo, pois aconteceram coisas meio tensas entre Domingo e Segunda. Pequeno em aparência, mas significativo em conteúdo, aconteceu. Comentei em um grupo da família do Chile — uma foto bonita, um momento de encontro entre eles. O Tio Fernando enviou uma fotos dele tia Verônica e seus filhos ( meu primos) finalmente todos juntos, o Nico veio da Espanha e o Javier do México. Minha mensagem foi simples, carinhosa, quase ingênua: elogiei a foto, mandei um beijo, sugeri que o grupo fosse mais ativo, que compartilhássemos mensagens e áudios, já que estamos longe.

Algum tempo depois, percebi que havia sido removida do grupo pelo tio Osvaldo! “Osvaldo removeu você”. Não houve aviso, conversa, explicação. Apenas a exclusão silenciosa. E o mais cômico, para não dizer outra coisa, é que eu criei este grupo. Criei o grupo e fiz todos administradores para todos terem autonomia. Depois mudei de numero e fiquei como membro apenas.

No primeiro momento, senti surpresa. Depois, tristeza. Não pela exclusão em si, mas pelo que ela simboliza. É difícil não perceber que isso acontece num contexto maior — marcado pelos conflitos recentes com meu pai, pelas coisas que ele relata á sua maneira, e mente também. Escolhi não reagir com impulso. Escrevi depois, de forma serena, deixando claro que minha intenção sempre foi o respeito e a boa-fé. Não para convencer, mas para permanecer fiel a quem eu sou: “Hola, tío. Noté que fui retirada del grupo después de un mensaje afectuoso, lo que me sorprendió. Entiendo que, en situaciones delicadas, las percepciones pueden variar y no siempre reflejar el cuadro completo. De mi parte, sigo actuando con respeto y buena fe, y espero que eso sea considerado. Les deseo paz a todos.” Escrevi para o Osvaldo, Fernando e Elby. Somente o tio Fernando respondeu e tirando o corpo fora : ” No tengo idea deso, yo no soy el administrador”.

Sabe, no começo fiquei bem chateada, magoada… Mas depois ao conversar com o Evandro, minha mãe, percebi que eu tinha criado uma ilusão com a família lá…Sempre sou eu quem escrevo alguma coisa, ou felicitações de aniversario e etc. E pra ser bem honesta o que eles fizeram de diferencial em minha vida? Nem convivemos juntos.

Nada do que está acontecendo agora muda quem eu sou ou o que construí. Minha vida segue. Meus projetos seguem. Mas confesso que algo me deixou profundamente furiosa: ouvir meu pai ao telefone, falando com minha tia Elby, dizendo coisas como “se eu fosse uma pessoa ruim, tudo bem, mas eu sempre apoiei, fico na minha… minha consciência está em paz, Deus sabe do meu coração”. Ouvir isso depois de tudo — das mentiras, das omissões, das distorções — foi quase inacreditável.

Talvez essa seja a parte mais difícil: perceber como alguém consegue sustentar uma narrativa tão distante dos fatos e, ainda assim, se colocar como vítima. Isso me revolta, mas também me esclarece. Ajuda a entender por que certas histórias chegam tão deformadas aos outros. E a outra parte de lá nem quer saber o nosso lado. Eles não me rejeitaram agora. Eles apenas nunca te incluíram de verdade.

Registro tudo isso aqui para não me perder em culpa que não é minha. Para lembrar que algumas dores vêm não do que se perdeu, mas do que nunca existiu como eu imaginava. E que reconhecer isso, embora doa, também liberta.

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