Hoje decidi aceitar o silêncio como parte da jornada.
As últimas semanas têm sido difíceis: o aumento do aluguel, os convites não respondidos, a falta de recursos para enviar o manuscrito do Cultura & Resiliência à revisão, edição e capa, a impossibilidade de seguir com o single de dezembro ou o curso de marketing literário da Dany Sakugawa.
Tudo parece ter parado de fluir.
Por mais que eu tenha tentado — com amor, disciplina e fé —, nada parece se mover.
Acredito que deva ser uma pausa momentânea, quando param de soprar o vento nas velas do barco. É momento de pausar. Hoje, em vez de lutar contra essa maré, percebi que talvez este seja o tempo de recolher as asas.
Não como desistência, mas como gesto de cuidado.
O mundo tem ritmos que não posso controlar, mas há um tempo interno, mais profundo, que ainda pulsa — o tempo da alma.
Tenho me sentido sozinha nessa travessia, como se minha voz ecoasse num deserto.
Mas sei que essa solidão também é parte do caminho de quem fala a partir da alma: nem sempre há aplausos no início.
Às vezes, o eco vem depois — quando o coração está mais quieto.
Hoje entendo que o projeto Cultura & Resiliência precisa respirar junto comigo.
Ele não morreu. Está hibernando, como as sementes que repousam no inverno antes de florescer.
Florescem quando o frio passa, quando a terra está novamente fértil.
🌾 Escrevi um livro sobre como a arte sustenta a humanidade em tempos de crise. E veja a coerência da vida: agora é a própria autora sendo chamada a viver essa verdade. A sua resiliência não é teórica — é viva, sentida, testada.Vou dar uma pausa, um hiato até a maré virar e novamente eu puder navegar.
Até isso acontecer, vou voltar à minha lista de leituras, à casa e à faculdade — aos lugares que me sustentam e silenciosamente me preparam para o próximo amanhecer.
