Há artistas que vivem a música — e há aqueles em que a própria vida parece se transformar em melodia. Bráulio Nápoles pertence a esse segundo grupo. Produtor, músico, compositor e comunicador, Bráulio Nápoles é um nome que transita com naturalidade entre a arte e a espiritualidade. Durante 13 anos ao lado de Caio Fábio, no programa Papo de Graça, ele se tornou uma voz presente na reflexão sobre cultura, fé e vida cotidiana.
Hoje, com o projeto “Só de Passagem – Um Movimento Musical”, ele retoma sua essência de artista, agora como mentor e semeador de novas gerações.
“Tive contato com a música a partir dos oito anos de idade”, relembra. “Minha mãe me levava a programas de auditório, e ali comecei a sentir o fascínio por aquele ambiente artístico.” Mas foi aos 16 anos que a faísca se tornou fogo: “Fiz uma viagem com meus primos, e no carro ouvíamos uma fita K7 com bandas brasileiras que todos curtíamos. Foi aí que tudo ganhou um novo prisma. Eu queria ser um astro do rock — e me apaixonei pela guitarra.”
Essa descoberta juvenil se transformou, décadas depois, em propósito. Bráulio fala com brilho nos olhos ao contar como nasceu o Só de Passagem:
“O movimento nasceu inspirado nos meus filhos. Minha filha é compositora e cantora, meu filho é um excelente músico. Essa iniciativa veio da minha gratidão por esse dom que vejo neles — quis retribuir, devolver de presente.”
Mais que um evento, o projeto é uma plataforma viva de arte e partilha: “Uso o ‘Só de Passagem’ não só como palco, mas como movimento. Organizo rodas de compositores, gravações autorais em praças, e incentivo os artistas a se revelarem por meio da própria música.”
Seu objetivo é claro: “Mostrar que a música autoral é uma possibilidade única para o artista se encontrar, viver da arte, e deixar sua marca no mundo.”
Depois de tantos anos no Papo de Graça, Bráulio reconhece o quanto essa convivência com Caio Fábio o transformou:
“O Caio é um mestre. Aprendi demais com ele. Quando saí, em 2021, pra voltar aos trabalhos artísticos, voltei com um novo olhar — mais consciente, mais grato, com um novo viés.”
E esse novo olhar também se estende às gerações que chegam.
“A nova geração tem muita informação. E isso, às vezes, faz com que ela se perca. Não é uma crítica, é só uma constatação. Eles têm qualidades incríveis, mas vivem o desafio de lidar com o excesso.”
Entre risos, ele brinca:
“Na minha época, a gente ensaiava até acertar o solo. Hoje o menino vai pra academia todo dia, mas não ensaia todo dia, sacou? Mudou muito.”
Aos 53 anos, ele se vê como um privilegiado: “Conheci a vida antes e depois do digital. Sei como era viver sem celular, sem internet. Eles não. Hoje tudo é no toque do dedo, mas o cérebro humano não foi feito pra processar tanta informação tão rápido.”
Ao falar sobre o papel da arte em tempos de crise, Bráulio é enfático — e profundamente humano:
“A arte é um agente transformador em qualquer situação. Não sei como seria a vida sem música — seria horrível! Nunca existiu um tempo sem crises. A humanidade sempre viveu entre guerras, golpes, crises econômicas. O que precisamos é ser resilientes.”
E conclui com uma convicção que une fé e experiência:
“Como disse nosso Mestre Jesus: ‘No mundo tereis aflições, mas Ele venceu o mundo — e nós também venceremos.’”
Bráulio fala de resiliência e fala de música: com verdade e esperança. Sua vida se refaz a cada projeto, a cada acorde, e a cada encontro com novas gerações de artistas. Em tudo, há o mesmo fio invisível que o guia — o da arte como abrigo, voz e transformação.

Texto: Priscilla Novaes
📍 Entrevista realizada no projeto Cultura & Resiliência — Agosto de 2025
