Criando, cantando eplanejando parceirias

Sexta feira: enviei minha voz gravada de Brote outra vez para o estúdio. É a primeira vez que sinto de verdade a música saindo da minha mente e ganhando forma concreta. A emoção de ouvir a própria interpretação, sabendo que em breve será trabalhada pelos arranjadores e produtores, é difícil de traduzir em palavras. O Marcola já tinha me enviado o instrumental e o que posso dizer? A musica está ficando maravilhosa! Uma tonalidade folk com aqueles lapsos das musicas chilenas, latinas. O mandolim está em um papel maravilhoso.

A letra de Brote outra vez carrega a essência do álbum: renascimento, esperança e memória. É uma canção que quer despertar a coragem de florescer mesmo em terras áridas, trazendo ao ouvinte a lembrança de momentos e palavras que nos sustentam nos tempos difíceis.

Decidimos que ela terá versões em português e espanhol, para honrar minhas raízes chilenas e a memória das histórias e terras da minha infância. Esta semana será dedicada a trabalhar detalhadamente cada nuance: ajuste de arranjos, interpretação da voz e pequenos toques que farão a música brilhar na sua essência.

Broten otra vez

Verso 1
Si el azul del cielo vuelve a brillar
cuando la tormenta se va,
si los rayos del sol surgien otra vez
yo puedo cantar.

Verso 2
Si las flores renacen en la estación
y los frutos se esparcen en el suelo,
dejemos despertar nuestra voz
en un canto que une generaciones.

Coro
ah, bellas canciones, broten otra vez,
y canten otra vez, en esta tierra árida.
Quiero buscar en mi memoria aquellos momentos,
aquellas palabras, renace la esperanza.


Sinto que Brote outra vez não é só o primeiro single, mas o ponto de partida de uma narrativa maior – o fio condutor que levará ao álbum completo. E escrever este diário me ajuda a perceber cada detalhe desse processo, desde a primeira nota até o momento em que a música chegará aos ouvidos de quem a ouvirá.

Estou planejando sobre uma das músicas mais especiais do álbum: Florescer. Diferente de Brote outra vez, esta faixa não será lançada como single; ela é um momento central do álbum, carregando ritmo, força e energia. Desde a composição, imaginei a música como uma ponte entre a tradição celta e a música andina, unindo flautas celtas, percussão e instrumentos andinos. Haverá um prelúdio instrumental que dará o clima da história que a canção quer contar.

Para alcançar essa sonoridade única, estou considerando uma parceria muito especial: Carlos Cabezas, charanguista do Los Jaivas, um músico que admiro profundamente e com quem já tive o prazer de conversar para o livro. Sinto que sua participação poderia elevar Florescer a um nível ainda mais vivo e autêntico.

Confesso que sinto medo e insegurança ao pensar em convidá-lo. E se ele não quiser? E se achar que a música não combina ou que não pode participar? Ao mesmo tempo, sei que às vezes precisamos ousar e confiar na própria visão artística. Carlos é um músico incrível, e Florescer merece o melhor arranjo possível.

Essa música é mais do que uma faixa do álbum; é um ponto de encontro entre culturas, histórias e ritmos. Planejar cada detalhe, refletir sobre parcerias e imaginar como ela será recebida é uma parte importante da construção deste álbum.

O diário me ajuda a organizar não só os passos práticos, mas também minhas emoções, dúvidas e esperanças em cada decisão. Florescer será uma das sementes mais fortes que este álbum vai plantar.

Priscilla

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