Aula 5 -A Colonização da América Anglo-Saxônica

No século XVI, a Inglaterra, governada pela Rainha Elizabeth I, concedeu ao nobre Sir Walter Raleigh (1552-1618) permissão para iniciar a colonização do continente americano, seguindo o modelo adotado por portugueses e espanhóis.  Mas , apesar dos esforços empregados, a fome, as doenças e os ataques indígenas levaram esse projeto inicial ao fracasso. Assim, foi apenas no século XVII, com as comunidades fugidas da Europa por perseguições religiosas e políticas, que a colonização começou finalmente a se efetivar com maior sucesso. Por causa disso, os colonos puritanos que chegaram trazidos pelo navio Mayflower e o Dia de Ação de Graças foram idealizados pela memória construída pela historiografia estadunidense como o início da colonização norte-americana, desprezando tudo que veio antes.

Durante muitos anos, ingleses e franceses não reconheceram o Tratado de Tordesilhas e contestaram a divisão do mundo entre Portugal e Espanha. Mais do que iniciar imediatamente a colonização, preferiram o saque dos galeões espanhóis carregados de ouro e prata, que parecia mais vantajoso do que o esforço sistemático de ocupar novas terras.

O início da colonização inglesa na América do Norte aconteceu no século XVI, quando Sir Walter Raleigh tentou estabelecer uma colônia na região que chamou de Virgínia (1584). Essas primeiras iniciativas foram frágeis, mas logo começaram a chegar comunidades fugidas da Europa por motivos religiosos e políticos. Um marco simbólico foi a chegada dos chamados “peregrinos” a bordo do Mayflower, que fundaram colônias com forte caráter religioso, sobretudo de inspiração puritana.

 As treze colônias

Com o tempo, consolidaram-se as 13 colônias inglesas, que se distinguiriam bastante das colônias ibéricas. A Inglaterra, a princípio, via a América do Norte como um destino para populações “indesejáveis” ou perseguidas, mas a realidade foi bem mais complexa: os colonos trouxeram valores culturais e religiosos diversos, que moldariam um perfil distinto de sociedade.

As colônias se dividiram em dois grandes modelos:

  • Colônias do Norte – predominavam a pequena propriedade, o trabalho livre e atividades manufatureiras. Havia também um mercado interno mais ativo, sustentado pelo chamado comércio triangular, que ligava a América, a Europa e a África.
  • Colônias do Sul – baseadas no latifúndio e na economia de plantation, voltada para a exportação. Dependiam fortemente do trabalho servil e escravo. Os principais produtos eram o tabaco da Virgínia, o arroz da Carolina e o algodão, além de outros gêneros tropicais. Parte dessa produção alimentava não só a Europa, mas também as colônias do Norte e do Centro.

Paralelamente, franceses e holandeses também buscaram espaço na América. Os franceses chegaram em 1555 e, no século XVIII, fixaram-se em Quebec, no Canadá, além de participarem de disputas em áreas coloniais portuguesas durante a União Ibérica. Já os holandeses ocuparam parte do Nordeste brasileiro entre 1637 e 1644, sob a administração do Conde João Maurício de Nassau, cuja gestão se destacou por maior tolerância religiosa e incentivo ao estudo do território.

Assim, a América Anglo-Saxônica se diferenciou das colônias ibéricas tanto na diversidade cultural e religiosa quanto na forma de ocupação, criando bases sociais e econômicas que teriam grande peso na formação dos futuros Estados Unidos.

 Franceses e holandeses na América

Seguindo com nossos conhecimentos sobre a colonização da América, focamos agora na França e na Holanda. Assim como a Inglaterra, que também foi excluída do Tratado de Tordesilhas, que dividiu as terras “descobertas” entre Portugal e Espanha, a França dedicou-se inicialmente ao contrabando e à pirataria das riquezas da América Ibérica, obtendo por fim alguns territórios no continente, principalmente na região do atual Canadá, mas não sem antes tentar ocupar o território brasileiro em duas ocasiões. Os holandeses, por sua vez, a partir de um acordo com os portugueses, puderam lucrar com a comercialização do açúcar brasileiro. Entre os anos de 1630 e 1654, ocuparam as regiões da Bahia e de Pernambuco, tomando posse da produção açucareira. Em 1654, após as Batalhas de Guararapes, os holandeses foram obrigados a deixar o território brasileiro.

Nota

Desse modo, a colonização da América do Norte não foi um processo imediato nem linear, mas fruto de disputas, fracassos e reinícios constantes. Entre piratas, peregrinos e plantações, formaram-se sociedades plurais, que contrastavam com o modelo centralizado e mercantilista das colônias ibéricas.

Essa diversidade de experiências, marcada por diferentes visões de mundo, modelos econômicos e motivações religiosas, lançou as bases para a formação de identidades próprias e de um novo projeto de sociedade. Foi nesse caldeirão de tensões e oportunidades que se gestaram tanto as futuras revoluções coloniais quanto o nascimento de novos Estados, capazes de desafiar as potências europeias que um dia disputaram avidamente o controle do Atlântico.

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