
Neste momento, focamos em estudar como se deu a chegada dos espanhóis ao território americano e como estes o dominaram. Após a chegada de Colombo em 1492 e determinados à conquista e ao domínio dos territórios a serem tomados em busca de riquezas, os espanhóis montaram um complexo sistema administrativo responsável por gerir os interesses da Coroa. O processo de colonização empreendido pela Espanha foi duro e sangrento em relação às populações ameríndias, uma vez que para os espanhóis a conquista e o domínio precisavam ser garantidos e assegurados, mentalidade remanescente do processo de reconquista da Península Ibérica. Esse sentimento de conquista e dominação foi o fio condutor de sua organização e empenho.
Administração colonial espanhola
Por volta de 1510, começaram a circular nas ilhas do Caribe, já dominadas pelos espanhóis, notícias sobre imensas riquezas guardadas por povos indígenas no continente que Américo Vespúcio identificara como Tierra Firme. Entre os boatos, ganhava destaque a lenda de uma cidade feita de ouro: El Dorado.
A colonização espanhola, diferente da portuguesa, priorizou garantir o controle militar, econômico e político sobre as terras conquistadas. Por isso, investiu na criação de vilas e grandes núcleos de povoamento planejados, estáveis e bem organizados. Os exploradores que se aventuravam no continente recebiam o título de adelantados — com grande liberdade de ação e privilégios. No caminho, fundavam ou tomavam cidades, conhecidas como ayuntamientos, que futuramente se transformariam nos cabildos, conselhos municipais encarregados da administração, legislação e justiça local.
Trabalho na colônia
A estrutura administrativa da América espanhola herdou muito da tradição aristocrática e hierárquica da própria Espanha. Igreja e Estado atuavam de forma extremamente ligada, refletindo o modelo ibérico.
No trabalho colonial, havia dois sistemas principais: a mita e a encomienda. A mita exigia que os indígenas pagassem tributos em forma de trabalho, com direito a um salário. Já a encomienda concedia aos encomenderos o uso da força de trabalho indígena sem remuneração — uma forma de exploração mais dura e direta.
Para controlar as riquezas, em 1503 foi criada a Casa de Contratação, em Sevilha. Ela administrava o comércio, fiscalizava o trânsito de mercadorias e cobrava impostos como o famoso quinto real — cerca de 20% de todos os ganhos vindos da América.
O território colonial espanhol foi dividido em vice-reinos:
- Vice-Reino de Nova Espanha (fundado em 1535): o mais importante, centro político e econômico do império.
- Vice-Reino de Nova Granada: destacou-se pela produção de pedras preciosas, tabaco, batata e açúcar.
- Vice-Reino do Peru (criado em 1542, capital Lima): grandes riquezas de ouro e prata, especialmente das minas de Potosí. Lima se tornou ponto central por onde passavam todas as riquezas do sul antes de seguir para a Espanha.
- Vice-Reino do Prata: famoso pela prata, pedras preciosas e criação de gado.
Segundo Mousnier (1995a), os espanhóis introduziram na América a pecuária, trazendo animais como porcos, bois e carneiros. Ao longo dos primeiros dois séculos, o setor de mineração — principalmente a prata de Potosí, na atual Bolívia — sustentou a economia espanhola, garantindo recursos contínuos para a metrópole.
Assim, a ocupação espanhola combinou ambição por metais preciosos, forte estrutura administrativa e controle rígido da produção, moldando a América sob o signo do poder imperial.
Economia colonial
A colonização da América se deu em um contexto político e econômico em que a política mercantilista predominava a fim de fortalecer o poder das monarquias nacionais e, portanto, o poder absolutista dos reis. Nesse contexto, as colônias deveriam fornecer produtos agrícolas tropicais, metais preciosos e matéria-prima, além de consumir os produtos manufaturados fornecidos pelas metrópoles. Essa relação baseava-se no monopólio comercial denominado Pacto Colonial, que consistiu em um rígido controle imposto pela metrópole, no qual a colônia só podia comercializar com sua metrópole.
