Aula 2: Mesoamérica, Sociedades Andinas e Povoamento da América

Hoje viajamos pelo tempo até as civilizações pré-colombianas, aquelas que floresceram nas Américas muito antes da chegada dos europeus. Foi como abrir uma janela para mundos grandiosos, cheios de deuses, guerreiros, cidades misteriosas e formas de viver completamente diferentes das nossas.

Começamos pela Mesoamérica. Entre os povos mais antigos estavam os olmecas, conhecidos como a “cultura-mãe” da região. Por volta de 1200 a.C., já espalhavam sua influência pelo México e Guatemala. Não tinham cidades no sentido que conhecemos, mas deixaram marcas profundas que outras culturas herdariam.

Depois vieram os astecas (ou mexicas), que não eram nativos dali, mas conquistadores vindos do norte no século XII. Em apenas três séculos, construíram um império impressionante baseado em guerras e alianças. Sua capital, Tenochtitlán, foi erguida sobre uma ilha no lago Texcoco, com templos imponentes dedicados ao deus do Sol e da guerra, Huitzilopochtli. Imagino o impacto de ver essa cidade pela primeira vez: parecia algo saído de um sonho.

Outra civilização fascinante foram os maias. Diferente dos astecas, eles se desenvolveram no próprio território, desde 3000 a.C., sem depender de influências externas. Viviam em cidades-Estado como Tikal, Palenque e Copan, formando um “triângulo maia clássico”. Tinham uma sociedade teocrática, dividida entre o povo agricultor e a elite formada por governantes, sacerdotes e guerreiros. Além disso, eram grandes astrônomos e matemáticos — seu calendário ainda hoje desperta curiosidade no mundo todo.

Depois seguimos para a região andina, onde floresceu o maior império da América pré-colombiana: os incas. Instalados em terras que hoje correspondem ao Peru, Chile, Bolívia e Equador, organizaram sua vida em torno do ayllu, espécie de comunidade de famílias ligadas por laços de sangue. Os incas se viam como “filhos do Sol” e cultuavam várias divindades, como Viracocha, senhor do destino. Sua engenharia e arquitetura foram extraordinárias: basta lembrar de Machu Picchu, suspensa entre as montanhas.

No Brasil, antes da chegada dos portugueses, nossos territórios eram ocupados por diferentes povos nativos. Américo Vespúcio descreveu com espanto os tupinambás, que viviam sem roupas, cultivavam mandioca, feijão e cará e, segundo relatos, praticavam até rituais de canibalismo. Os tupis-guaranis estavam espalhados desde a Venezuela até o Rio da Prata, mostrando a enorme diversidade cultural das terras que mais tarde seriam colonizadas.

Por fim, conhecemos também os povos da América do Norte, como Sioux, Apache, Navajo, Cherokee, Comanche, Cheyenne e Creek. Cada um com suas tradições próprias, seus territórios e modos de vida adaptados a planícies, desertos ou florestas.

Encerrando a aula, ficou a sensação de que essas civilizações, mesmo tão distintas, têm algo em comum: a profunda ligação com a terra, com os deuses e com a coletividade. Antes da chegada dos europeus, a América já era um continente vivo, diverso e repleto de histórias grandiosas.

Nota

A atividade sugerida pelo professor é que para saber mais sobre o conteúdo visto na aula, acesse o site do Museo Nacional de Antropologia. Nele, você tem acesso a diversas imagens dos povos mexica e maia. Para acessá-las, clique em Colección e, em seguida, em Arqueologia, Mexica e Maya. Verifiquei sim.

Mas fui pesquisar os tempos antes das colonizações e navegações da Espanha:

⏳ Antes das navegações (mapa dos “Íberos e Celtas”)

O primeiro mapa mostra um período bem mais antigo, de muitos séculos antes de Cristo (século V a.C. em diante).

  • Os íberos habitavam principalmente a costa leste e sul da Península Ibérica (Mediterrâneo). Tinham contato com fenícios e gregos, que trouxeram escrita, comércio e novas técnicas.
  • Os celtas, de origem indo-europeia, ocuparam a região norte e interior da península.
  • A mistura de ambos originou os celtiberos, que viviam sobretudo na Meseta (centro da Espanha).
  • Essas sociedades não eram unificadas: eram tribos guerreiras, ligadas por parentesco e religião, mas sem reinos centralizados.

👉 Ou seja, nessa época não existia ainda Espanha, nem Portugal, nem mesmo Roma na península. Eram povos nativos, cada qual com seu modo de vida.

🇮🇹 A chegada dos romanos

A partir do século III a.C., os romanos conquistaram a Península Ibérica durante as Guerras Púnicas contra Cartago.

  • Os celtiberos resistiram bravamente (batalhas de Numância são lendárias), mas foram derrotados.
  • Aos poucos, a península foi romanizada: língua latina, leis, estradas, cidades e cristianismo.

👉 Quando o Império Romano caiu (séc. V d.C.), a península já estava profundamente marcada pelo legado romano.


⚔️ Reinos medievais (mapa “Portugal, Castela, Aragão…”)

Esse segundo mapa já mostra a Idade Média, mil anos depois da presença romana.

  • Com a queda de Roma, povos germânicos (visigodos) se instalaram na península.
  • No século VIII, os muçulmanos (mouros) invadiram e dominaram boa parte da região, criando Al-Andalus.
  • Cristãos no norte iniciaram a Reconquista, um processo de séculos de guerras e alianças que só terminou em 1492, com a queda de Granada (último reino muçulmano).

👉 Esse é o contexto cultural-político logo antes das navegações: vários reinos cristãos (Castela, Aragão, Portugal, Navarra) que, ao se unirem, formaram as bases da Espanha moderna.


📌 Linha do tempo simplificada

  • Século V a.C. → Celtiberos, íberos e celtas na península.
  • 218 a.C. – séc. I d.C. → Conquista romana e romanização.
  • Séc. V d.C. → Queda de Roma, reinos visigodos.
  • 711 d.C. → Invasão muçulmana, início de Al-Andalus.
  • Sécs. VIII–XV → Reconquista, formação dos reinos cristãos.
  • 1492 → Queda de Granada, unificação da Espanha e início da expansão marítima.

Ou seja: os celtiberos são um capítulo bem inicial, as raízes antiquíssimas da península. Mas sua herança se somou à romana, à visigoda, à muçulmana e à cristã para criar a rica tapeçaria cultural que, séculos depois, fez da Espanha um dos grandes centros das navegações. 🌍✨

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