A música na jornada da vida — conversa com Carolina Saccomano

Carolina Saccomano, musicista, mentora e escritora. Tem dedicado anos de sua vida à música, tanto tocando quanto ensinando, e sua experiência é um testemunho vivo do poder transformador da arte sonora. Para Carol, a música é muito mais que um som: é uma expressão divina que atravessa ciência, arte e linguagem, um verdadeiro instrumento de alquimia emocional e espiritual.

Em nossa conversa, ela compartilhou que, ao longo de sua trajetória, viu de perto como a música pode ajudar a superar momentos difíceis — seja nos relatos de alunos tímidos que se libertaram do medo ao aprender um instrumento, ou nas sessões em que a música foi parte fundamental para liberar emoções e transformar ambientes. e Carolina afirma com a paixão de quem vive essa verdade diariamente.

“A música resgata laços, estimula e complementa processos, e ainda não sabemos quase nada sobre ela”.

Sua experiência com crianças, incluindo meus próprios filhos, revela uma outra face dessa experiência: a leveza e a esperança que a musicalidade traz através do lúdico e da socialização. “Para as crianças, a música é divertimento, um convite para responder aos estímulos rítmicos e harmônicos dentro das regras das atividades — e elas se saem muito bem”, explica Carol, destacando que o aprendizado infantil abre portas para a construção de resistência emocional, ainda que em contextos diferentes da terapia musical.


O Papel da Música no Desenvolvimento Infantil

A música, quando apresentada às crianças, revela sua face mais encantadora: a do brincar sonoro. No espaço lúdico das melodias e ritmos, elas não apenas se divertem — elas crescem. Crescem em sensibilidade, em escuta, em expressão. A musicalidade infantil, como bem observa Carol, é feita de jogos, descobertas e socialização. Cada canção, cada batida, cada movimento corporal se torna um convite para o desenvolvimento integral: cognitivo, emocional e relacional.

Mesmo fora do contexto terapêutico, a música atua como um canal poderoso de estímulos saudáveis. Ao serem guiadas por regras musicais — seguir um compasso, repetir um padrão rítmico, aguardar a vez na roda — as crianças aprendem, sem perceber, sobre cooperação, autocontrole, concentração e criatividade. E talvez, mais profundamente, aprendam também a responder à vida com leveza e confiança.

A música para crianças é apresentada de maneira lúdica, por isso ela é carregada de leveza. Sobre esperança e resistência emocional para uma criança, mediante a música, são os processos de jogos e de socialização.

Nesse universo musical, a esperança não se ensina: se vive. É a alegria espontânea de cantar juntos, de explorar sons, de se encantar com o próprio progresso. E, como mostra a experiência de Carol com tantas crianças ao longo dos anos, essa vivência planta sementes de resistência emocional — mesmo nos contextos mais delicados.

A música nas diferentes estações da vida

Hoje, como mentora no Terra da Música, Carol acompanha adultos que resgatam a música em fases distintas da vida. “É uma realização pessoal poder testemunhar como eles se descobrem, superam desafios e encontram na música não só prazer, mas uma forma de terapia, de conexão e autonomia”, revela. Seus alunos vêm de diversas áreas — médicos, advogados, músicos — e cada um encontra na mentoria ferramentas para seguir um caminho mais criativo e autêntico.

Por fim, ao falar sobre coragem e inspiração, Carol não hesita: “Sou cristã, e a Bíblia é meu manual de conduta, escrita por pessoas comuns que passaram por grandes transformações. Me identifico com cada personagem, pois também busco evolução constante.” Além disso, ela cita autores contemporâneos que acompanham seu crescimento, mas é na história de vida da mãe que encontra seu maior parâmetro:

Mas de todas as personalidades, livros e escritores, a história de vida da minha mãe é a minha régua, o parâmetro para minha vida dentro da minha essência, do meu DNA que encontro respostas…

Assim, a trajetória de Carolina Saccomano nos lembra que a música não é apenas som — é alma em movimento. É vida que pulsa entre as pausas, resistência que se ergue entre os compassos, e esperança que floresce mesmo nos dias mais silenciosos. Porque, no fim das contas, a música é celeste — ponte que nos une, nos abraça, e, com certeza, vem de Deus.


Texto: Priscilla Novaes
📍 Entrevista realizada no projeto Cultura & Resiliência — Julho de 2025

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