Aula 1- Maias, Incas e Astecas

Hoje iniciamos as aulas História e Historiografia da América Colonial, com o professor Osvaldo Luis Meza. Eu já tinha tido aulas com ele no incio de História e achei fantástico

Neste tema, estudamos a América anterior à chegada dos europeus no século XV, tendo por base as civilizações de maior porte, como os maias, os astecas e os incas, a fim de melhor compreender o impacto da conquista e da colonização das populações pré-colombianas. A suposta “descoberta” da América estabeleceu um irredutível embate entre povos e concepções diferentes de mundo, que levou a um colapso demográfico das populações nativas, como nos expõe Nicolas Sánchez-Albornoz. Uma testemunha relevante desse processo foi o frade Bartolomeu de Las Casas (1474-1566), que o denunciou em Brevísima relación de la destrucción de las Indias.!

Mas… será que podemos mesmo chamar isso de descobrimento?

Por séculos, os povos andinos já conheciam aquelas montanhas, já viviam, construíam, sonhavam ali. Assim como aqui no Brasil, quando aprendemos na escola que “a história começou em 1500”, com a chegada dos portugueses. Mas havia muito antes disso.

Povos originários como Incas, Quéchuas, Mapuches, Guaranis e tantos outros já escreviam — com palavras, símbolos, tecidos e cantos — suas próprias histórias. Ricas, profundas, sábias. Histórias que não começaram com a chegada dos colonizadores.

Muitos ainda olham para a cultura latino-americana buscando apenas influências europeias, mas esquecem das raízes mais antigas e profundas — aquelas que vêm da terra, da floresta, dos Andes, dos rios e das comunidades originárias.

A verdadeira História não começou em 1500. Ela já estava sendo vivida, cantada e transmitida — geração após geração — muito antes de 1492 ou 1500.

Relatos filtrados: o dilema dos cronistas

Recentemente, li o livro Relatos Astecas da Conquista, de Tzvetan Todorov e Georges Baudot. Nele, me deparei com a figura fascinante de Frei Diego Durán, um cronista espanhol que, apesar de ser religioso e viver sob ordens da Coroa, demonstrava uma genuína tentativa de escutar e compreender os povos indígenas.

Durán queria “respeitar a verdade”. Mas qual verdade? Ele estava diante do desafio quase impossível de relatar tanto os atos heroicos quanto os horrores humanos. O massacre de Cholula, por exemplo, foi tão cruel que ele escolheu deixá-lo “nas sombras e no silêncio”. Um gesto que, mais do que censura, parece carregado de dor e impotência.

Essa foi a pergunta que ficou em mim:
Será que conseguimos realmente escutar as vozes indígenas — ou apenas ecos filtrados por interesses do poder?

A resposta é que essas fontes não devem ser lidas como “a verdade”, mas como documentos a serem interrogados. Devemos prestar atenção ao que dizem — e também ao que silenciam. A voz indígena, pura e direta, talvez não esteja ali. Mas os ecos, as tensões, as hesitações… tudo isso nos permite enxergar os rastros da resistência.

É por isso que estudiosos hoje buscam também os relatos indígenas em línguas nativas, como o náuatle. São registros raros, mas preciosos, que revelam outras narrativas sobre a conquista, a perda, a luta e a sobrevivência.

Para melhor compreendermos e estudarmos os povos que habitaram as regiões do altiplano, é fundamental que entendamos as características geográficas da área andina que influenciaram o desenvolvimento cultural, econômico, político e social dos povos dessa região, principalmente dos incas. A ocupação da região por populações que exerciam certa estratificação social e estruturas estatais data desde antes da era cristã. Essas populações se organizavam predominantemente em cidades-Estado, cujo centro urbano incluía os templos religiosos, e entravam em disputas bélicas pela hegemonia regional.

Neste tema, tratamos dos povos e das civilizações mais importantes que se formaram na América pré-colombiana. Entretanto, para melhor compreendermos seu desenvolvimento cultural e étnico, precisamos estudar o período que antecede a chegada do homem ao continente, em torno de 40 e 30 mil anos atrás, tendo como base as diferentes hipóteses de povoamento e ocupação do território. A hipótese mais aceita refere-se à chegada dos primeiros homens pelo Estreito de Bering durante o período da última glaciação, quando a região teria se transformado em terra firme e possibilitado a travessia da Ásia para a América.

*Reler algumas parte do livro: Relatos Astecas da Conquista- Tzvetan Todorov & Georges Baudot- Part III \ Relatos Astecas da Conquista- Tzvetan Todorov & Georges Baudot part II e Relatos Astecas da Conquista- Tzvetan Todorov & Georges Baudolt part. I

Compreender sem idolatrar, criticar sem desumanizar

Os astecas, como muitos povos, tinham práticas que hoje nos causam espanto, como os sacrifícios humanos. Mas para eles, isso era parte de um sistema espiritual complexo, de equilíbrio cósmico. A violência, para muitos desses povos, era um modo de sobrevivência — em tempos de guerra constante. Os Astecas eram conquistadores e como sabemos, em questão de se expandir um Império, a ação é ferocidade. Vemos isso ao longo da história e em todas a s guerras que tivemos.

Por outro lado, os conquistadores espanhóis, ainda que dotados de uma “civilização cristã” e mais avançada tecnologicamente, também agiram com crueldade assustadora. Massacraram, escravizaram, impuseram sua fé e destruíram culturas inteiras. Mas nem todos foram iguais. Alguns, como Bartolomé de las Casas, lutaram pela dignidade dos povos nativos.

Meu pensamento é de que ambos precisavam evoluir. A evolução, no sentido humano e espiritual, é uma necessidade constante, tanto para o passado quanto para o presente. O que me parece importante é equilibrar o reconhecimento das virtudes e dos erros de cada lado. Os indígenas defendiam sua terra e lar e que, muitas vezes, não havia outro meio senão a força. O desafio é olhar para essas histórias com empatia e humildade, entendendo que tanto a selvageria quanto a brutalidade estavam profundamente enraizadas nos sistemas de crenças e valores da época. No final, reconhecer a complexidade humana de ambas as partes – suas lutas, seus medos, suas motivações – é o caminho para uma compreensão mais verdadeira e transformadora.

Já nesse inicio, me aclarou tanto que escrevi até um post no meu site Música&Linguagens sobre isso:https://musicaelinguagens.com/2025/08/04/a-memoria-viva-dos-povos-andinos/

Priscilla Novaes

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