Diário de Bordo — Semana de 27 a 31 de Julho

Não há muito o que relatar desta semana, senão a sensação de inércia que se arrastou pelos dias. Ontem á tarde para despedir o tédio de aulas, fichamentos e tentar conter as crianças ainda de férias ( rsrs) me sentei pra assistir um filme “Destino de uma Nação” esse filme é de 2017! mas só agora pude assitir.

O longa retrata os primeiros dias de Winston Churchill como primeiro-ministro britânico, em plena Segunda Guerra Mundial. O filme dramatiza o dilema: resistir ou negociar com Hitler. Embora eu já soubesse que muitas cenas — como a famosa viagem de Churchill no metrô — são ficcionalizadas, o espírito da narrativa ainda assim me tocou profundamente. O filme não é historicamente impecável, e, de fato, críticas apontam omissões graves, como o papel fundamental do Partido Trabalhista e de figuras como Attlee, que deram sustentação à resistência contra o nazismo naquele momento crítico. Mas o que me marcou não foram os detalhes factuais, e sim o tom — os discursos inflamados, a convocação à coragem diante do medo, a defesa incondicional da pátria.

Enquanto assistia, não pude evitar pensar no Brasil de agora.

Vivemos tempos difíceis. Ainda lidamos com as cicatrizes deixadas pela gestão Bolsonaro, com a polarização que fragmentou famílias e amigos, e agora, diante do chamado “tarifaço de Trump” — um nome simbólico, mas real em suas intenções — percebo que há mais em jogo do que aparenta.

Explico melhor: Donald Trump, mesmo sem qualquer vínculo institucional com nosso país, tem tentado se envolver nos rumos da nossa política. Não o faz por solidariedade ou amizade com Jair Bolsonaro. O interesse é geopolítico e estratégico. Se Bolsonaro conseguir anistia e se candidatar novamente, abre-se para Trump uma porta escancarada no Brasil: para negócios, para influência, para exploração. O que ele quer é claro — nossas terras raras, a Amazônia, os recursos que ainda resistem. E o que mais me espanta é ver tantos que se dizem patriotas se curvarem a essa influência, entregando de bandeja aquilo que deveria ser defendido com honra e coragem.

Por isso os discursos de Churchill me soaram tão atuais. Especialmente este:

“Mesmo que grandes extensões da Europa e muitos Estados antigos e famosos tenham caído nas garras da Gestapo e de todo o aparato odioso do domínio nazista, não fraquejaremos nem fracassaremos. Lutaremos nas praias, nos campos, nas ruas, nas colinas; nunca nos renderemos…”

A bravura das palavras dele não está no romantismo da guerra, mas na disposição de resistir quando tudo parece ruir. De manter acesa a centelha da dignidade nacional mesmo em tempos sombrios.

Não estamos diante de tanques ou invasões, mas nossa soberania está ameaçada de outras formas — pela desinformação, pela manipulação, por alianças que não são feitas em nome do povo.

Precisamos defender o Brasil. Lutar por ele. Não com armas, mas com consciência, coragem e verdade. Porque, como diria Churchill, mesmo que muito pareça perdido, não nos renderemos.

E se o Novo Mundo ainda tiver alguma força e lucidez, que venha sim para o resgate — mas não para colonizar de novo, e sim para lembrar que a liberdade é um bem universal e sagrado. Se há alguma resistencia que devemos ter nesses tempo, é essa.

P.

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