
Hoje tive o privilégio de conversar com Bráulio Nápoles, músico, pensador e um dos colaboradores mais próximos de Caio Fábio nos tempos do Papo de Graça e das transições do Caminho da Graça. Desde o início, Bráulio se mostrou acolhedor, disposto e generoso — aceitou o convite para a entrevista ainda no início de julho, mesmo enquanto estava em viagem, e deixamos tudo marcado com carinho para este momento.
Confesso que eu estava nervosa. Como sempre, fico um pouco ansiosa antes de entrevistas por chamada, ainda mais com alguém cuja trajetória toca tantos pontos essenciais do que venho pesquisando: arte como abrigo, música como presença espiritual, e palavras que resgatam.
Nossa conversa não foi apenas uma entrevista. Foi um encontro. Daqueles em que não se mede respostas, mas se compartilha vivência — e onde a arte aparece não como algo que se faz, mas como algo que nos atravessa.
Bráulio falou com serenidade e verdade sobre o projeto “Só de Passagem”, sobre sua caminhada com a música, seus filhos que são talentosos na música,sobre o papel da fé e do silêncio, e sobre o que permanece mesmo quando tudo parece ruir. Foi como sentar ao lado de um rio e deixar as águas falarem.
Logo mais vou organizar os trechos principais da fala dele, mas por ora, deixo registrado esse momento de gratidão. A conversa de hoje me lembrou que cultura e resiliência não são conceitos — são pessoas.
ENTREVISTA
1-Bráulio, como você descreveria a presença da arte e da música na sua vida, desde a juventude – Houve momentos em que ela te sustentou de forma especial?
Tive contato com a musica apartir de 8 anos de idade. Minha mãe me levava a programas de auditório e tive esse primeiro contato com esse ambiente artístico, mas foi com 16 anos quando fiz uma viagem com meus primos, no carro ouvíamos uma fita k7 bandas que todos nos curtíamos aqui do Brasil, foi ai que tudo isso ganhou um no prisma. Eu queria ser um astro do rock e me interessei pela guitarra.
2. Sobre o “Só de Passagem – Um Movimento Musical”:
–Como nasceu esse movimento e qual é o papel da música dentro dele?
Esse movimento nasceu principalmente inspirado em meus filhos. Minha filha é compositora e cantora e meu filho é um excelente musico e assim nasceu essa iniciativa do “Só de Passagem”, pela minha paixão pela musica, minha gratidão por esse dom dos meus filhos e eu quis retribuir, devolver de presente. Fico muito maravilhado com tudo isso. Uso o “Só de Passagem” não só como um palco, mas como uma plataforma para gerar um movimento — algo que considero mais importante do que apenas um evento. O projeto tem, sim, um evento, mas ele embarca um movimento maior. Tem também o podcast, e no ano passado eu organizei rodas de compositores. A gente gravava duas músicas autorais na praça, justamente pra fomentar isso.
O que eu pretendo com o Só de Passagem é exatamente valorizar a música autoral, mostrar que ela é uma possibilidade única para o artista se revelar, encontrar seu caminho, seu sucesso. E viver da música — da forma como muitos gostariam — embora nem todos consigam.
A experiência no “Papo de Graça”:
– Você esteve ao lado do Caio Fábio em muitos momentos do Papo de Graça. Como essa convivência moldou sua visão sobre cultura, espiritualidade e comunicação com as pessoas?
Fiquei com Caio por 13 anos e o Caio é mestre, ele teve grande impacto em minha vida, foram momentos lindos, aprendi muito, sai em 2021 pra voltar a fazer os trabalhos artísticos, e musicais. Com o projetos “Só de Passagem” e comedia e outros projetos. Ao voltar para os projetos artísticos, esses aprendizados com o Caio, voltei com um novo olhar, apreciando e olhando tudo com novo vies. Eu volto pro mundo artístico agora como produtor, trazendo a nova geração.
Entre gerações:
O que acha que a nova geração tem a ensinar (ou resgatar) sobre a essência da arte?
A nova geração tem muita informação. E isso, às vezes, faz com que ela se perca. Não é uma crítica, é só uma constatação — uma característica mesmo. Não estou dizendo que essa geração esteja errada, de forma alguma. Ela tem qualidades maravilhosas. Tenho dois filhos jovens e vejo muita coisa linda acontecendo, sabe? Mas toda geração tem seus próprios perrengues.
E, nesse caso, acho que o desafio dessa geração é justamente lidar com o excesso de informação. É tudo muito rápido hoje.
Na minha época, por exemplo, quando a gente ia gravar no estúdio, às vezes fazia quatro, cinco takes de um solo de guitarra até acertar. Ou então a gente estudava, treinava, ensaiava muito até conseguir fazer. Hoje, os jovens até ensaiam, sim, mas não com o mesmo nível de dedicação que a gente tinha.
Hoje em dia o menino vai pra academia todo dia, mas não ensaia todo dia, sacou? Mudou muito.
Eu, com 53 anos, me considero um cara privilegiado porque conheci a vida antes e depois do digital. Eu sei como era viver sem celular, sem internet. Eles não. Essa geração só conheceu o mundo digital. Eles não sabem o que é ter que levantar do sofá pra trocar o canal da televisão!
Hoje é tudo no toque do dedo. Só que o cérebro humano não foi feito pra processar tanta informação tão rápido.
Qual é a sua visão sobre o papel da arte em tempos de crise — não só como entretenimento, mas como abrigo e voz?
Cara, eu acho que a arte é um agente transformador em qualquer situação. Ela precisa ser encarada dessa forma. É claro que a aplicação da arte vai variar conforme a mentalidade de cada ser humano — mas, independentemente disso, a arte sempre tem esse poder de transformação. Não sei como seria a vida sem a música, seria horrivel! Voce disse sobre tempos de crises, acho que nunca existiu um tempo que não tivesse crises, a humanidade sempre viveu em um mundo cheio de crises, da idade passando pelos anos 30, os golpe de estado, guerras, crise econômica. Tudo o que temos que fazer é sermos resilientes, como disse nosso mestre Jesus ” No mundo tereis aflições, mas Ele venceu o mundo, e nos também venceremos.
EDITORIAL
Só de Passagem, mas deixando marcas — Conversa com Bráulio Nápoles
por Priscilla Rubio | Projeto Cultura & Resiliência
Hoje tive o privilégio de conversar com Bráulio Nápoles, músico, pensador e um dos colaboradores mais próximos de Caio Fábio nos tempos do Papo de Graça e nas transições do Caminho da Graça. Desde o início, Bráulio se mostrou acolhedor, disposto e generoso — aceitou o convite para a entrevista ainda no início de julho, mesmo estando em viagem.
Falamos sobre sua caminhada com a música, o projeto “Só de Passagem – Um Movimento Musical”, sobre seus filhos músicos, sobre a espiritualidade que sustenta e o silêncio que ensina. Foi como sentar ao lado de um rio e deixar as águas falarem.
A música como descoberta e sustento
Bráulio lembra que seu primeiro contato com a música foi aos oito anos, quando sua mãe o levava a programas de auditório. Mas foi aos dezesseis, numa viagem com os primos ouvindo fita cassete de bandas brasileiras, que algo acendeu de verdade:
“Eu queria ser um astro do rock e me interessei pela guitarra.”
A paixão nasceu ali — e nunca mais o abandonou.
Só de Passagem: mais que palco, um movimento
O projeto “Só de Passagem” surgiu, segundo ele, por amor aos filhos e gratidão à arte. Sua filha é compositora e cantora; seu filho, um instrumentista talentoso. Bráulio enxergou ali a semente de um movimento.
“Uso o ‘Só de Passagem’ não só como um palco, mas como uma plataforma para gerar um movimento.”
Com rodas de compositores, gravações na praça, podcasts e encontros, o projeto valoriza a música autoral como forma de identidade, expressão e esperança.
“O que eu pretendo é mostrar que viver da música é possível, mesmo que não seja fácil. A música autoral é uma janela para o artista se revelar.”
Um novo olhar após o Papo de Graça
Foram 13 anos ao lado de Caio Fábio, e Bráulio carrega esse tempo com gratidão e reverência:
“Caio é um mestre. Tive momentos lindos, aprendi muito. Saí em 2021 para voltar aos projetos artísticos, com outro olhar. Voltei como produtor, trazendo a nova geração.”
O desafio da nova geração
Falando sobre os jovens, Bráulio é honesto, mas amoroso:
“A nova geração tem muita informação. Isso, às vezes, faz com que ela se perca. Não é crítica — é só um fato. Eles têm qualidades lindas. Mas o excesso de velocidade e estímulo tira o foco da dedicação.”
Ele destaca que viveu a transição do analógico para o digital e sente que muitos jovens hoje perdem o “ritual do processo”:
“O menino vai pra academia todo dia, mas não ensaia todo dia. Mudou muito.”
A arte em tempos de crise
E quando falamos de resiliência, Bráulio é direto:
“A arte é agente transformador em qualquer tempo. Sempre foi. Sempre será. Eu não sei como seria a vida sem a música — seria horrível!”
Ele lembra que a humanidade nunca viveu sem crises. Desde as eras antigas, passando por guerras, golpes e colapsos, o que nos mantém de pé é a esperança — e a arte é seu instrumento mais sensível e fiel.
“Como disse nosso Mestre Jesus: ‘No mundo tereis aflições… mas Ele venceu o mundo, e nós também venceremos.’”
