
Esta foto é das ruínas de Machu Picchu, que foi “descoberta” das ruínas Incas pelo homem branco que só se deu depois de muito tempo após a sua construção! Foi em 1911, em uma expedição arqueológica, que o professor americano Hiram Bingham chegou até o alto de Machu Picchu.
Durante a aula da faculdade ( História e Historiografia da América Colonial ) meus olhos de abriram para muitas coisas! Desde muito tempo, nas escolas, aprendemos a História com marcos importantes, todos sob uma visão eurocêntrica. Mas a história dos povos tem diferentes marcos!
No “descobrimento” do Brasil conta a história a partir de 1.500, mas foi descobrimento? Já havia povos aqui, já havia uma História rolando aqui. E o mesmo vale para as terras andinas — onde hoje estão o Chile, o Peru, a Bolívia, o Equador… Povos como os Incas, Mapuches e Quéchuas, já escreviam (com palavras, símbolos ou cantos) uma história rica, cheia de sabedoria, que não começou com a chegada dos colonizadores.
Muitos escritores, artistas e pesquisadores vêm ao Brasil e dizem sobre conexões e influencias europeias aqui, mas não podemos esquecer das heranças dos povos originários, que são as raízes mais profundas, e de uma história que vem de muito antes de 1500… ou mesmo de 1492.
História para Despertar
À medida que mergulho nas entrevistas do projeto Cultura & Resiliência, tenho me deparado com histórias vindas de artistas e escritores de diferentes partes do mundo — da Galícia ao Cone Sul, dos Andes ao sertão brasileiro. E embora fui atraída ( e aprecio) pelas raízes galegas e pelas conexões celtas que ecoam na minha música, há algo que não posso — nem quero — deixar de destacar: somos, antes de tudo, filhos da América Latina. E minha musica carrega a musicalidade andina também.
Cada canto desta terra carrega uma identidade cultural única, forjada por séculos de resistência, dor, beleza e reinvenção. Cada povo com suas cores, suas canções e sua forma de contar a vida. Durante muito tempo, fomos ensinados a enxergar o mundo sob a lente da Europa — suas normas, suas guerras, suas glórias — mas as descobertas arqueológicas e os relatos que hoje emergem mostram outra face da história.
Um dos livros que mais me confrontou nesse sentido foi Relatos Astecas da Conquista, organizado por Tzvetan Todorov e Georges Baudot. Nele, vemos que, embora os espanhóis carregassem consigo as ferramentas e ideias de uma “civilização cristã” tecnicamente mais avançada, o que praticaram em solo americano foi uma brutalidade difícil de conceber. Massacres, escravização, destruição de templos e línguas — tudo isso ancorado na crença de que os povos indígenas eram inferiores, quase sub-humanos. A violência foi institucionalizada, justificada por discursos religiosos e ambições de poder.
E, no entanto, mesmo ali, havia vozes dissonantes. Bartolomé de las Casas, por exemplo, ergueu-se como um defensor incansável da dignidade dos povos nativos, denunciando os horrores praticados pelos seus. Isso mostra que nem todo colonizador era cego à humanidade do outro.
Minha reflexão é que ambos os lados — tanto os conquistadores quanto os conquistados — precisavam e ainda precisam evoluir. A evolução espiritual e humana é um caminho sem ponto final. O que importa é reconhecermos as virtudes e os erros de cada parte. Sim, os espanhóis trouxeram conhecimentos, técnicas e novas formas de organização. Mas a que custo? E com que direito?
Do outro lado, os povos indígenas lutaram por sua terra, sua cultura e sua existência. Defenderam-se com a força que tinham — muitas vezes a única resposta possível diante da aniquilação.
Acredito que o nosso desafio atual é olhar para tudo isso com empatia e humildade. Nem negar os avanços trazidos, nem romantizar completamente o passado pré-colonial. É preciso escutar as vozes abafadas pela História oficial e entender que tanto a barbárie quanto a luz estavam presentes dos dois lados — cada qual moldado por suas crenças, medos e sistemas de valores.
No fim das contas, o que não podemos — de maneira alguma — é apagar as culturas originárias. Precisamos aprender com elas. Reconhecer sua sabedoria, seus saberes ancestrais, sua espiritualidade e sua força. São elas que ainda hoje sustentam parte da alma viva da América Latina. São elas que nos ensinam que é possível resistir e florescer — mesmo depois de tudo.
Então, com tudo isso, percebo que devo mudar algumas coisas em meu livro e contar sobre isso no capitulo Capítulo 4 ❖ Lições do Passado, aplicações para o futuro – Voltar ao diário de escrita…
