Fé, Esperança, Amor e Arte: Hebreu Brazuca e a música como raiz espiritual e força de superação

Nesta primeira entrevista do projeto Cultura & Resiliência, conversei com um amigo e artista cuja trajetória representa, com intensidade, a força da espiritualidade como raiz cultural e forma de superação: Hebreu Brazuca, cantor, compositor e multi-instrumentista que transita entre diversos estilos, mas nunca perde a essência de onde veio — nem a fé que sustenta sua arte.

Nascido em uma família simples e criado em meio à vivência comunitária da igreja, Hebreu descobriu a música ainda criança, nos anos 80. “A música entrou em minha vida quando eu ainda tinha 6 anos”, conta. “Era só uma brincadeira, uma novidade… mas foi com 13 anos que comecei a assumir publicamente o meu dom”.

Música como resistência

Para Hebreu, tornar-se músico profissional foi um passo natural — e também um ato de coragem. “Me tornei músico profissional no começo de 2000. Daí então é que ela nunca mais saiu de dentro de mim como uma ferramenta de resistência, aos trancos e barrancos, fazendo com o que eu tinha.”

Esse “fazer com o que se tem” é, para muitos artistas, a realidade cotidiana e ter essa visão para não estagnar. E Hebreu não romantiza esse percurso. Quando pergunto sobre o maior desafio de fazer arte autoral e independente no Brasil de hoje, sua resposta é direta:

“Pra mim o maior desafio é se manter em pé por conta própria e com pouco incentivo, principalmente daqueles que dizem ‘amar’ sua arte, mas na hora de um apoio mínimo não cooperam pra que ela se perpetue. Mas sempre foi assim. Ser artista independente é um ato de resistência.”

Essa força e resiliência que se manifesta através da música é um pulsar universal. Pelo mundo afora, o mesmo coração bate através da arte que resiste às adversidades, que não se cala diante das dificuldades. A arte permanece, conecta pessoas, culturas e histórias, criando pontes invisíveis entre diferentes realidades. É nesse intercâmbio que aprendemos uns com os outros, renovando nossa esperança e encontrando sentido mesmo nos tempos mais desafiadores.

Consolar, provocar, inspirar

Ainda assim, mesmo em meio às dificuldades, Hebreu acredita na potência da arte como consolo, provocação e sentido. “Acredito sim. Fazendo tudo com transparência, sem negar seus ideais e se posicionando”, afirma. “Hora ou outra alguém se identificará com a nossa poesia e será por ela consolado.” Sabemos que a mensagem que um artista carrega pode não ser possível á todos os poetas, mas quem a tenha sentido, vai guardara-la no coração, e assim desenvolvendo-a em sua obra, com bem disse Pablo Neruda

Não é preciso agradar a todos — e talvez nem seja esse o objetivo da arte. Para Hebreu, a sinceridade poética é o que importa:

“No fim, o que falará mais alto é o Amor, pra quem é de Amor. Fé, Esperança, Amor e Arte.”

Para quem quase desiste

Por fim, pedi que ele deixasse uma mensagem para aqueles que, neste exato momento, talvez estejam à beira de desistir da sua arte — A resposta de Hebreu é também um conselho de maturidade e profundidade espiritual:

“Fique nos processos e não nos resultados. Não seja imediatista. Sinta, transpire e respeite o seu tempo de produção. Às vezes você ficará um dia ou um ano sem produzir, isso não quer dizer que deve desistir e nem que é o fim. Fé, Esperança, Amor e Arte.”

A música de Hebreu é um reflexo disso: sincera, humana, marcada por histórias de fé e de chão. É sobre isso que Cultura & Resiliência se trata — sobre o quanto a arte, enraizada na espiritualidade e no amor, pode sustentar vidas, provocar mudanças e manter acesas as brasas da esperança.

Texto: Priscilla Novaes
📍 Entrevista realizada no projeto Cultura & Resiliência — Julho de 2025

Publicado por Priscilla Rubio Novaes

Priscilla Rubio Novaes é musicista e historiadora com raízes hispano-americanas. Sua música e escrita se entrelaçam para criar uma experiência sensorial única, uma jornada através do tempo, onde história e arte se encontram. Priscilla compartilha suas reflexões em seu blog, explorando a interseção entre história, literatura e arte. Seu desejo é conectar as pessoas ao poder transformador da música e da narrativa, trazendo à tona memórias ancestrais e histórias que ecoam através do tempo.

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