
Tenho já convidado alguns artistas para colaborar com minha pesquisa para o livro, bom até agora apenas dois me responderam e são dois valiosos, um foi o Hebreu Brazuca que já publiquei aqui e outro foi o Pancho Alvarez! Justamente o principal que eu queria e estava com medo de convida-lo rsrs. Só para atualizar, o Pancho é um incrível músico. Pancho Alvarez nasceu em Porriño e começou a tocar guitarra aos dez anos com seus irmãos. Estudou solfejo e violino no conservatório de Vigo, enquanto iniciou sua trajetória musical como baixista e depois violinista no grupo NA LÚA, onde permaneceu por quinze anos.
Em NA LÚA, destacou-se como arranjador e compositor, focado na música tradicional da Galícia. Fez suas primeiras turnês pela Península Ibérica, América do Sul, Europa, entre outros lugares. Com o grupo, lançou seis discos. Colaborou como convidado, produtor e arranjador em diversos discos de outros artistas. No início dos anos 90, integrou o grupo MATTO CONGRIO, realizando shows e gravando um disco homônimo. Também participou do grupo TRES, com o qual lançou o álbum PARAÍSO DE LEONOR. A partir de 1995, começou a colaborar com Carlos Núñez, fazendo turnês pela América, Europa, Ásia e Austrália, tocando em palcos emblemáticos como o Carnegie Hall e a Ópera de Sidney. Enfim! Toca varios intrumentos como o bouzouki é um instrumento musical de cordas, popular na música tradicional grega e também em algumas tradições musicais da Irlanda.
Decidimos que o melhor seria por escrito e estas são as perguntas: ( traduzi aqui para o portugues para facilitar na publicação depois, mas em anexo está o original)
1- A lo largo de tu trayectoria musical — desde Na Lúa, pasando por Carlos Núñez, The Chieftains y tus discos en solitario — ¿cómo percibes el papel de la música tradicional gallega en momentos de crisis cultural y social?
Os tempos de crise não precisam ser ruins nem significar mudanças drásticas.No caso da música galega, penso que está num momento muito importante.
A herança acumulada, sobretudo no meio rural, é enorme e está dando lugar a um ambiente mais urbano, como reflexo da mudança social que está acontecendo na Galícia.
Nas últimas décadas, e seguindo o exemplo de etnomusicólogos como Alan Lomax ou Michel Giacometti, musicólogos como Dorothé Schubarth e linguistas como Antón Santamarina, o trabalho de coleta foi enorme. Inúmeras pessoas dedicaram horas e recursos próprios para recolher, em primeira mão, cantoras de pandeireta, cegos, gaitistas e informantes de todo tipo. Isso tem resultado, junto com cancioneiros publicados em diferentes momentos da história da Galícia, na consolidação de um material arquivado e catalogado que garantirá um grande legado, dando continuidade à nossa música tradicional e cultura.
As novas propostas musicais se desenvolvem em apostas que vão desde a influência da música eletrônica até estilos mais puristas, alcançando um público considerável. Também se percebe certa ausência do “celtismo”, incidindo mais nos estilos relacionados com o canto e a percussão, e menos na gaita, instrumento que mais conecta com as músicas do arco atlântico.
2-¿Cómo fue la experiencia de recorrer el mundo llevando la música gallega a públicos tan diversos? ¿Sentías que el público comprendía la fuerza cultural que esta música tiene?
Minha experiência percorrendo diversos países e cenários sempre foi positiva.
Em geral, é uma música que resulta atraente, que lembra outras músicas celtas, mas mais exótica. Gosta-se muito. Embora também dependa do repertório e da execução.
Não é fácil sair da península dizendo que você vem de um país, a Galícia, onde não há touradas nem flamenco, mas sim gaitas. Isso não é bem entendido, não é assimilado. Mas, uma vez que se situam musicalmente e com os comentários oportunos, as pessoas vão embora com a sensação de ter descoberto algo maravilhoso.
3- En tu carrera, ¿cuál fue el momento más difícil como artista y cómo te ayudó la música a atravesar ese período?
-Por sorte, não sofri grandes crises na minha carreira musical.
Sempre tive a fortuna de seguir em frente nos diferentes projetos em que me envolvi, contando ao meu lado com grandes artistas e companheiros.
4- En tu trabajo, hay una búsqueda muy hermosa por la preservación de estilos y repertorios olvidados, como “Florencio, o cego dos Vilares”. En tu opinión, ¿por qué es tan importante rescatar y mantener estas voces vivas?
Florencio é para mim o violinista tradicional por excelência.
Descobri-o através de algumas fitas cassete gravadas pelos membros da associação Treboada. Nelas aparecia um violinista que tocava muito bem, que tocava e cantava ao mesmo tempo melodias tradicionais profundas, belas. Também contava piadas e era possível ouvi-lo conversando com o público. A partir desse momento soube que havia encontrado aquilo que há muito tempo precisava, um mestre do violino tradicional. Até então, os violinistas não tínhamos referências.
Gaitistas, percussionistas, zanfoneiros, etc., todos tinham referências de como tocar seus instrumentos, mas os violinistas não. No ano de 1998, em menos de um mês, produzi e gravei o disco Florencio, o cego dos Vilares com boa parte do seu repertório. Acabei de realizar um documentário-homenagem à figura de Florencio, no qual é possível ver muitos (e há mais) violinistas jovens que também o admiram e que garantem seu legado.
5-Por último, ¿qué consejo le darías a los artistas y músicos que desean resistir, crear y mantener su identidad artística en tiempos difíciles?
Não me considero uma pessoa que possa dar conselhos, e menos ainda para outros músicos.
Mas minha experiência me ensinou a apostar no autêntico, a conhecê-lo, investigá-lo, amá-lo… cada um deve tirar suas próprias conclusões.
O caminho pode ser muito longo, mas também muito satisfatório e generoso.
