Pesquisando o capitulo 1 – A arte que Salva

Retomando o capitulo 1 do meu livro, “A arte que salva”, decidi mergulhar mais profundamente nas pesquisas. Esta semana chegou até mim, atraves do Instagram, relatos de pessoas sobre os anos de opressão do governo de Franco, na Espanha.

Durante a ditadura de Francisco Franco (1939–1975), a Espanha viveu sob um regime nacional-católico, autoritário e centralizador, que censurava qualquer manifestação artística, literária ou cultural que pudesse questionar o governo, defender valores democráticos, ou exaltar as culturas regionais (como a galega, basca ou catalã).

A censura era feroz. Escritores tinham suas obras proibidas ou cortadas. Poetas como Miguel Hernández ( foi um poeta e dramaturgo espanhol. Apesar de vir de uma família pobre e ter tido pouca educação formal, publicou seu primeiro livro de poesias aos vinte e três anos de idade!)-morreram nas prisões franquistas. Outros, como Antonio Machado, morreram no exílio ou na miséria. Muitos escritores republicanos e progressistas foram exilados para México, França ou Argentina. Só para você ter ideia, nomes como Rafael Alberti,, León Felipe e María Zambrano viveram décadas fora de sua terra natal.

Os artistas plásticos, como Picasso, Miró ( Joan Miró (1893-1983) foi um importante pintor, escultor, gravurista e ceramista catalão, conhecido por sua obra surrealista e por ter sido um dos principais representantes do surrealismo.) e Dalí (este último com relações mais ambíguas com o franquismo), também viveram essa tensão. Picasso se recusou terminantemente a voltar à Espanha enquanto Franco estivesse vivo, e sua obra Guernica tornou-se não só símbolo da Guerra Civil, mas de toda uma geração sem voz.

O teatro e o cinema também foram controlados. Algumas obras conseguiram usar metáforas e alegorias para burlar a censura e transmitir mensagens críticas, como as peças de Antonio Buero Vallejo ou os filmes de Luis Buñuel, que viveu no exílio, mas continuou produzindo.

A música popular também teve papel essencial. Canções de resistência, protesto e identidade regional circulavam clandestinamente ou em performances disfarçadas. O movimento da Nova Canção Catalã, por exemplo, na Catalunha, e os cantautores galegos e andaluzes como Luis Eduardo Aute e Paco Ibáñez foram essenciais para manter viva a identidade cultural e a esperança.

A literatura de exílio tornou-se um fenômeno por si só, com autores escrevendo sobre a perda da pátria, a saudade, a luta e a denúncia das injustiças. Enquanto isso, os que permaneceram na Espanha muitas vezes codificavam suas críticas em textos de difícil interpretação literal, para escapar da censura.

A arte foi refúgio, arma e testemunho. Ela permitiu que essas pessoas preservassem sua humanidade e deixassem um registro para o futuro, exatamente como você está propondo mostrar no seu livro. E mais bonito: esse eco atravessou o tempo e chegou até você.

Estampa popular

Outros artistas também desempenharam papéis significativos na resistência cultural durante o franquismo. O coletivo Estampa Popular, por exemplo, formado por artistas antifranquistas na década de 1960, utilizava a técnica do gravado para produzir obras de crítica social e política. Essas obras eram distribuídas clandestinamente, buscando conscientizar a população sobre as condições opressivas do regime. Além disso, o grupo La Familia Lavapiés, ativo entre 1974 e 1977, combinava arte e militância política. Seus membros, em sua maioria de origem operária, produziam obras que abordavam temas sociais e políticos, utilizando o “conceitualismo proletarizado” como forma de conectar a arte com as lutas populares.

A arte também foi uma forma de resistência no exílio. O artista Josep Bartolí, por exemplo, documentou sua experiência em campos de concentração franceses por meio de desenhos que retratavam a brutalidade do franquismo e a luta pela liberdade. Sua história foi recentemente retratada na animação “Josep”, que destaca como a arte pode ser uma ferramenta poderosa de resistência e memória.

https://www.museoreinasofia.es/en/collection/research-projects/estampa-popular

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