A Parte Invisível da Criação: A espera

Hoje estava fazendo alguns cronogramas para o livro, os temas de perguntas para o Hebreu Brazuca que se disponibilizou a colaborar. Já enviei e agora é esperar, assim como de todas as entrevistas que ainda vão me entregar.

O ruim que estao duas semanas tem sido muito monótonas do que eu queria rsrs. Mas eu sei que e é super normal em projetos assim. Tem umas fases mais elétricas, onde tudo parece acontecer junto, e outras meio mornas, em que ficamos na expectativa, sem poder puxar muito pra frente porque dependemos de fatores externos (entrevistas, curso, orçamento, pessoas…). E isso gera uma ansiedade braba porque o coração já tá lá na fase das coisas acontecendo!

Esse momento “morno” também é estratégico. Ele é ótimo pra:

  • Cuidar do entorno do projeto — como organizar os arquivos, revisar as referências, fazer brainstorm de ideias de post pro blog, stories e até rascunhar textos pra quando chegar a fase quente.
  • Escrever textos mais pessoais no blog, como estou fazendo aqui, sobre a viv~encia de estar nesse projeto, as expectativas, as travas… isso conecta muito comigo e até me dá ideias.
  • Fazer uma listinha de pessoas que eu gostaria de tentar contato lá na frente, sem compromisso agora. Quem sabe até consigo uma breve colaboração com Carlos Núñez rsrs, não custa sonhar.
  • E principalmente: respirar um pouco, porque quando o curso começar e as entrevistas chegarem, vai virar aquele furacão, e vou lembrar com saudade desse sossego ( espero que seja bem ativo assim), uma das coisas que estou pensando é trabalhar num single para setembro ( se os recursos que estou pensando chegarem)

Mas não adianta, tudo isso é só conjecturas. Só me resta esperar…

Nessa espera, escrevi um post para o blog do projeto Cultura e Resiliência, inspirado em tudo isso:


Cartas Que Não Chegam e Promessas Vazias: Como Aprendi a Lidar com Silêncios

Dizem que esperar por uma carta é um ato quase esquecido nos tempos de hoje. Mas, quem já esperou uma resposta importante — um e-mail, uma mensagem, ou aquela confirmação que parecia certa — sabe como o silêncio também escreve histórias.

Esses dias, enquanto lia alguns cadernos antigos meus ou me perdia nas conversas e entrevistas que tenho feito para o livro, me lembrei de uma obra linda chamada O Carteiro e o Poeta, de Antonio Skármeta. No livro (e no filme), Mario Jiménez, um jovem carteiro quase analfabeto, passa a entregar cartas para Pablo Neruda durante o exílio do poeta no Chile. Entre cartas, conversas e poemas, nasce ali uma amizade improvável — dessas que transformam a vida da gente.

O que mais me encanta nessa história não são apenas os versos ou a paisagem de Isla Negra, mas a ideia de que, às vezes, as palavras que mais precisamos ouvir não vêm de quem esperamos. Elas vêm de gente simples, de momentos pequenos, ou até do papel em branco que insiste em ficar vazio.

Assim como Mario esperava pelas cartas de Neruda e escrevia suas próprias palavras para Beatrice, eu também esperei muitas respostas em diferentes tempos da minha vida. Nem sempre elas chegaram — e, quando isso acontecia, algo inesperado se abria diante de mim. Foi assim quando, aos 12 anos, percebi que as aulas de teclado não davam certo e que os professores raramente cumpriam o combinado. Naquele momento, eu não sabia, mas aquele “não” estava me guiando para a música de outro jeito: pela voz. E, no meio das coisas que não acontecem como a gente gostaria, às vezes surgem caminhos incríveis, que mudam tudo.

Também me recordo de Bernard Shaw e sua correspondência com Mrs. Patrick Campbell. Eles trocavam cartas carregadas de humor, afeto e desabafos, numa época em que as palavras precisavam atravessar mares e semanas até chegar. Talvez naquela lentidão, houvesse espaço para uma resiliência que a gente esqueceu de cultivar. E das amizades que superam a distancia e a espera.

Esse post é sobre isso: sobre as cartas que nunca chegaram, as promessas que se dissolveram no tempo, e sobre como, apesar dos silêncios, continuo acreditando que existem pessoas, palavras e encontros que ainda vão chegar. E sobre como, às vezes, o que fica não é o que foi dito — mas o que a gente escolhe escrever enquanto espera.

Assim como Mario, como Shaw e tantos outros, continuo escrevendo, esperando, criando e me permitindo descobrir que, às vezes, é no vazio das respostas que se constrói a história mais bonita. E isso, talvez, seja a verdadeira resiliência.

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