Segunda, 7 de Abril- 2025- Resiliente como o cedro do Libano

Ainda estou ecoando sobre as leituras e entrevistas de Sábado. Sabe de uma coisa, as vezes me pego pensando em tudo isso que estou aprendendo e vivendo. As histórias que escuto, como a de Carlos e de tantos outros que abriram caminhos onde não havia, me tocam profundamente. Me vejo em muitos desses relatos.

Por muito tempo também escondi sonhos. Sonhos que ardiam no coração, mas que, em algum momento, aprendi a calar. Talvez por medo, talvez por achar que não era o “tempo de Deus” — ou que, simplesmente, não era para mim. Desde a adolescência, fui ensinada que Deus faria tudo. Que bastava orar, esperar, e, se fosse da vontade dEle, as portas se abririam como mágica. Era o que eu ouvia, até mesmo de pessoas com ministérios grandes, como o Diante do Trono. Diziam que Deus trouxe os contatos, os recursos, guiou até quais músicas gravar… e pronto. Tudo acontecia como um milagre cronológico. Só que, com o tempo — e com a dor de não ver nada disso acontecer comigo conclui que o que eu sonhava não era para mim.

Ate que, com o tempo fui aprendendo muitas coisas. Houve, sim, oração. Houve direção. Mas também houve planejamento, investimento pesado, equipe, marketing, tentativas frustradas, conversas duras, equipamentos caros, decisões estratégicas. Houve trabalho. Muito trabalho. E, por algum motivo, isso quase nunca é dito com clareza. Por quê? Eles persistiram, pois, era um sonho que eles tinham, não só a vontade de Deus. “Eu estou lutando muito pois quero realizar o sonho de canções que compus em tempos difíceis cheguem a muitas pessoas” ou “não vou desistir, vou trabalhar muito para que este grupo alcance até outras nações com essa mensagem de esperança” O que há de errado nisso? Mas não, só falam que Deus direcionou, eles nem se achavam capazes, mas Deus fez tudo, serio?

Talvez por medo de parecer menos espiritual. Talvez porque o discurso do “Deus fez tudo” parece mais inspirador do que “eu trabalhei muito por isso”. Mas a verdade é que, quando omitimos o esforço, o caminho, as lágrimas e as portas fechadas, acabamos criando um tipo de evangelho que frustra e cala os que ainda estão sonhando.

Porque o jovem que está começando, cheio de perguntas, orando no seu quarto e tentando gravar uma música com o celular, vai olhar para esses testemunhos e pensar: “Deus não está comigo. Nada acontece. Talvez meu sonho não seja de Deus”. E desiste. E se machuca. E se esconde. E pior, esconde algo que poderia abençoar e trazer inspiração a outros ao seu redor. Pois cada pessoa é única, pode ter 80 pessoas fazendo exatamente a mesma coisa, mas cada um diferenciado por sua identidade única.

Foi o que aconteceu comigo.

Mas estou aqui, com fé e com coragem, para dizer: Deus está. Deus caminha com quem constrói. Com quem planta mesmo quando a terra é seca. Deus está no esforço, no suor, nos dias em que a gente não vê nada acontecendo. Ele está também nos contatos que buscamos com medo, nas tentativas que falham, nas noites em que quase desistimos.

A fé verdadeira não é passiva. Ela age. Ela insiste. Ela ora, mas também envia o e-mail, monta o projeto, faz o orçamento, aprende com os erros. E sabe o que é mais bonito nisso tudo? Deus nos sustenta em cada passo. Mesmo quando a estrada parece sem saída, Ele nos faz despertar. Ele reacende a esperança.

E é por isso que, hoje, eu não escondo mais meus sonhos. Porque entendi que eles também são sementes que Deus colocou em mim. E cabe a mim cultivá-los — com oração, com entrega… mas também com ação. E nessa busca por realização dos sonhos o imprescindível é manter o coração em Deus, em humildade sim, com amor. Há vezes que se começa bem pequeno, o caminho é de pedras, é dificil. Há tempos de investir profundamente ás raizes, ao estudo, é um esforço que ninguém vê. É um tempo amadurecer, crescer, aprofundar raízes. Porque o que importa não é só a aparência, é a raiz. Como bem disse o salmista, que compara essa jornada com a palmeira e com o cedro do Líbano. O cedro-do-Líbano, por exemplo: no primeiro ano de vida, ele cresce apenas cerca de 5 cm para fora da terra e 1,5 m para baixo. Ou seja, quase nada visível, mas uma profundidade enorme. E o cedro-do-Líbano é interessante porque, quanto mais pedregoso o terreno, mais forte ele se torna. Ele pode alcançar até 40 metros de altura e cerca de 14 metros de diâmetro — uma árvore majestosa. Ela é símbolo de resiliência, de resistência e de crescimento em meio à adversidade. E tudo nela pode ser aproveitado. Foi dessa madeira que o templo foi feito. Me identifico muito com isso ! Assim tenho resistido e permanecido firme ao longo dessa jornada.

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