Simon Bolivar
Francisco Miranda foi capturado e enviado para a Espanha, onde morreu na prisão alguns anos depois. Com sua ausência, Simón Bolívar assumiu a liderança do movimento de independência na América do Sul. No entanto, sua posição como líder não era algo garantido desde o início; ele precisou construir sua autoridade e conquistar apoio.
Para organizar sua luta, Bolívar se refugiou em Cartagena das Índias, um importante porto da época colonial. Foi ali que ele escreveu o “Manifesto de Cartagena”, um documento essencial para sua estratégia política. Nele, Bolívar argumentava sobre a necessidade de uma organização política forte e inspirava as pessoas a se juntarem à causa da independência.
Em 1813, Bolívar conseguiu apoio militar e reconquistou Caracas. No entanto, a república ainda era frágil e, em 1814, com a restauração do rei Fernando VII ao trono espanhol, um grande exército foi enviado para retomar o controle das colônias. Comandado por Pablo Morillo, esse exército chegou à Venezuela, forçando Bolívar a recuar para o Caribe. Ele viajou para a Jamaica, onde escreveu a “Carta da Jamaica”, um documento fundamental no qual expressava suas ideias sobre a independência e os desafios políticos da região.
Bolívar seguiu para o Haiti, onde negociou apoio para continuar a luta. Em troca, prometeu abolir a escravidão, um tema complexo devido à resistência de grandes proprietários de terra. Com o apoio haitiano, em 1816 ele retornou ao continente para retomar a luta pela independência.
Ao longo de sua campanha, Bolívar enfrentou não apenas o exército espanhol, mas também resistência de elites locais que temiam as mudanças que a nova ordem poderia trazer. Para fortalecer seu exército, ele buscou apoio entre os setores populares, incluindo escravizados, índios e vaqueiros das planícies venezuelanas, que se tornaram combatentes essenciais.
Em 1819, foi realizado o Congresso de Angostura, na atual Colômbia, onde Bolívar apresentou um discurso fundamental para sua visão política. No mesmo ano, ocorreram batalhas decisivas como a de Boyacá, que libertou parte da Colômbia. Nos anos seguintes, novas vitórias em Carabobo e Pichincha consolidaram a independência da Venezuela e do Equador.
Com o recuo do exército espanhol, o próximo desafio era libertar o Peru, onde a resistência realista era forte. O general José de San Martín havia tomado Lima, mas a república peruana ainda era instável. Em 1822, San Martín e Bolívar se encontraram em Guayaquil para discutir o futuro da independência peruana. Depois desse encontro, San Martín deixou a luta e Bolívar assumiu a liderança na guerra contra os espanhóis no Peru.
A independência sul-americana foi um processo longo e complexo, marcado por batalhas, negociações e disputas internas. Bolívar se destacou não apenas por sua capacidade militar, mas também por sua habilidade política em unificar diferentes grupos em torno do ideal de liberdade. Seu legado influenciou profundamente a formação dos países sul-americanos modernos.
