Nesta semana, acompanhando o noticiário, ficou muito claro para mim sobre os caminhos da história, que são cíclicos. O aumento dos investimentos em armamentos, as tensões entre potências e o crescimento de alianças militares fazem com que muitos se perguntem: A corrida armamentista das potências pode realmente ser prenúncio de uma Terceira Guerra Mundial?
Especialistas alertam que um conflito dessa magnitude poderia ter consequências inimagináveis, transformando radicalmente o mundo como conhecemos.
Mas como chegamos aqui?
Tudo isso me faz lembrar da Primeira Guerra Mundial (1914-1918) foi o marco da destruição em massa, impulsionada por avanços tecnológicos e alianças geopolíticas que rapidamente transformaram tensões regionais em um conflito global. O mundo nunca mais foi o mesmo.
Nesse ano de 1914, um único evento – o assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando – serviu de estopim para a Primeira Guerra Mundial, um conflito que mobilizou milhões de soldados e transformou o campo de batalha em um verdadeiro pesadelo, com trincheiras, gás tóxico e destruição sem precedentes. A guerra deixou marcas irreparáveis, mas, ironicamente, não foi suficiente para impedir que, apenas duas décadas depois, o mundo mergulhasse em um novo e ainda mais devastador confronto: a Segunda Guerra Mundial. O século XX mostrou que, quando as tensões políticas, econômicas e ideológicas chegam a um ponto crítico, os conflitos podem se tornar inevitáveis — e os ecos dessas disputas ainda ressoam no presente.

Foi neste cenário que um jovem oficial britânico chamado J.R.R. Tolkien experimentou de perto os horrores da guerra. Lutando na Batalha do Somme, ele viu de perto a destruição e a perda de amigos. Mas ao invés de se render ao desespero, Tolkien encontrou um refúgio na criação de histórias, nas quais os pequenos podiam resistir aos grandes desafios de uma vida em meio ás guerras. Foi ali que germinaram as primeiras sementes de O Senhor dos Anéis, um épico sobre coragem, amizade e a luta contra forças sombrias.
Se a história nos ensina algo, é que as guerras sempre deixam marcas profundas, e fomenta ainda mais guerras. Mas a arte e a literatura têm o poder de manter viva a memória e inspirar esperança. Os escritos de Tolkien não foram apenas escapismo, mas uma forma de ressignificar a dor e oferecer ao mundo uma nova perspectiva sobre sacrifício, resistência e esperança.
A história não precisa se repetir se soubermos ouvir os ecos do passado e valorizar aqueles que usam palavras e arte para iluminar a escuridão.
Outros escritores da época também usaram a literatura para processar os traumas da guerra, como Ernest Hemingway, que retratou a brutalidade dos conflitos, e Erich Maria Remarque, autor de Nada de Novo no Front, um dos relatos mais impactantes sobre a realidade dos soldados. Ele descreva a profunda indiferença da vida civil alemã sentida por muitos homens que retornavam das frentes … A história nos mostra que, diante do caos, a arte se torna um meio de resistência e reflexão. Mas será que hoje ainda damos valor a essas vozes do passado? Como a Arte Pode Transformar a Dor em Esperança?
O Memorial de Vik Muniz e a Cultura Brasileira
Você já parou para pensar como a arte tem o poder de transformar o mais profundo caos em algo belo e significativo? Em 8 de janeiro de 2023, o Brasil foi sacudido por um evento de grande dor: a invasão e depredação do Congresso Nacional. O ataque, um golpe à democracia, deixou para trás uma cena de destruição e desespero. Mas, o que você talvez não saiba, é que essa tragédia também gerou algo inesperado e poderoso: uma obra de arte que nos ensina sobre a renovação e a força da nossa identidade histórica.

Após o caos daquele dia, o artista Vik Muniz encontrou uma maneira única de dar um novo significado aos destroços deixados pelos manifestantes. Assim ele usou os próprios restos da destruição – pedaços de vidro, móveis quebrados, papéis rasgados e até cartuchos de bala – para criar uma obra de arte que, mais do que representar a dor do momento, simboliza a capacidade de recomeçar.
O que ele fez não foi apenas uma recriação visual, foi um memorial que carrega uma mensagem profunda sobre a resiliência humana. Da destruição do Congresso, que simboliza a luta pela nossa democracia, surgiu algo novo, algo que mostra como a arte pode transformar até as situações mais difíceis. E, o mais importante: como ela pode renovar nossa história e cultura.
Sabe, a ideia por trás dessa obra de Vik Muniz é simples, mas poderosa. A arte nos mostra que é possivel conseguimos criar algo novo a partir da destruição. Isso não significa apagar a dor, mas sim transformá-la em algo que traga esperança. O memorial não é apenas uma peça visual; ele é um reflexo de nossa capacidade de se reerguer, de encontrar significado e beleza, mesmo nos tempos mais sombrios. Li certa vez sobre uma arte tradicional japonesa, com raízes e influências da filosofia estética chinesa. Kintsugi significa “juntar com ouro” e é a prática de reparar cerâmicas quebradas com uma mistura de laca dourada ou prateada, valorizando as rachaduras e imperfeições do objeto. Essa técnica se baseia na ideia de que a história de um objeto ou de uma pessoa é valorizada justamente pelas marcas que carrega, e não se deve esconder ou negar a fragilidade, mas sim celebrá-la. É assim que devemos olhar para essa história.
Da mesma forma que as cores e as formas surgem dos destroços na obra de Muniz, a arte – seja ela música, literatura ou qualquer outra forma de expressão – tem o poder de nos ajudar a reconstruir nossa identidade cultural, mesmo diante das crises mais intensas.
“Ver as imagens do 8 de Janeiro e o desenrolar daquele dia, foi pra mim como se um símbolo tivesse sendo atacado”– Vik Muniz
Arte e Resiliência: O Poder da Cultura em Tempos de Crise
É assim que a arte, em sua essência, sustenta a humanidade. Em momentos de crise, a música, a literatura e as artes visuais não apenas nos ajudam a entender o mundo ao nosso redor, mas também oferecem uma forma de cura. Elas criam novas perspectivas, permitindo que nos conectemos com nossa história e nos reerguemos, mais fortes do que antes.
O memorial de Vik Muniz é um exemplo perfeito de como a arte pode renascer a partir dos momentos de dor, nos lembrando de que, independentemente do que aconteça, a cultura e a história de um povo sempre encontrarão uma maneira de se reinventar. Por mais que as crises tentem destruir o
E você, acredita que a arte e a literatura e arte podem ser uma forma de resistência nos tempos caoticos?

Texto: Priscilla Novaes
📍 Música&Linguagens | História & Arqueologia — Março de 2025
