História e Historiografia da África
Hoje falamos sobre a agricultura na África e suas regiões com diferentes plantações.A agricultura na África é super influenciada pelo clima do continente. No centro, tem florestas tropicais; ao norte e sul dessas florestas, ficam as savanas; depois, vêm as regiões desérticas, e, no extremo norte e sul, há climas parecidos com o Mediterrâneo. Esse cenário passou por períodos de mais aridez e mais umidade, moldando como a agricultura se desenvolveu por lá.
Existem alguns “berços agrícolas” na África, onde a agricultura surgiu e cresceu:
Afro-mediterrâneo: do Egito ao Marrocos;
Afro-ocidental: no oeste, com áreas tropicais e subequatoriais;
Nilo-abissínio: no leste, com as regiões nilótica e abissínia;
Afro-oriental: a leste do afro-central, chegando até Angola.
- Principal atividade do Sul
No extremo sul, a agricultura e o pastoreio demoraram pra se desenvolver, então a coleta era a principal atividade. Já no afro-central, predominavam as hortas, com foco em tubérculos (raízes comestíveis) e técnicas parecidas com jardinagem. Nas estepes e savanas, plantavam-se mais cereais, como o sorgo, que é originário da África e estava presente na maioria dos berços agrícolas.
No afro-ocidental, nasceu o cultivo do arroz, inicialmente com variedades africanas, que depois se misturaram com tipos vindos da Ásia (trazidos por árabes no século VIII e europeus no século XVI).
- Conexões de conhecimento
O berço mediterrâneo influenciou a agricultura e a criação de animais no Saara e trocou conhecimentos com o Oriente Médio através do Egito. Por isso, nessa região surgiram o trigo, a cevada, a oliveira e a alfarrabeira. No berço abissínio, destacaram-se a cevada, leguminosas, o sorgo, e foi por lá que o café e a bananeira chegaram ao continente.
A agricultura na África começou a se desenvolver entre 9000 a.C. e 5000 a.C. Esse crescimento na produção de alimentos ajudou a aumentar a população, especialmente perto de rios e lagos, onde as comunidades começaram a se estabelecer de forma mais fixa.
História e Historiografia da América Contemporânea
Hoje as leituras e a aula foi sobre as independências nas Américas Espanhola e Portuguesa. Minha primeira hora foi com as leituras do texto e do livro “História da América: das independências à globalização“.
As invasões napoleônicas tiveram impactos bem diferentes na América Espanhola e na América Portuguesa. Na América Espanhola, a prisão do rei Fernando VII fez com que a Espanha perdesse a autoridade sobre suas colônias. Isso levou ao enfraquecimento do poder central e contribuiu para a fragmentação do território em vários países independentes. Além disso, a independência na América Espanhola foi acompanhada pela abolição da escravidão e pela formação de repúblicas.
- Independência do Brasil
Já no Brasil, a história foi diferente. Com a fuga da família real portuguesa para o Rio de Janeiro, a autoridade de Portugal na colônia foi reforçada. Esse movimento fortaleceu os laços entre Brasil e Portugal, fazendo com que o Brasil permanecesse unido como um território só, ao contrário da divisão que ocorreu nas colônias espanholas. Quando a corte voltou para Portugal, Dom João VI deixou seu filho, Dom Pedro I, no Brasil, o que facilitou um processo de independência tranquilo e articulado pelas elites locais, mantendo a monarquia e a escravidão intactas.
Enquanto a América Espanhola viu o poder ser distribuído entre cabildos e vice-reinados, o que contribuiu para a fragmentação, o Brasil manteve sua unidade territorial e seus laços com a metrópole. Isso foi decisivo para que a independência brasileira fosse liderada por um português, mantendo o sistema monárquico e a escravidão. Essas diferenças explicam por que as antigas colônias espanholas se dividiram em várias repúblicas enquanto o Brasil se manteve como um único país monárquico.
- Conceito de revolução
No livro, a professora explica um pouco sobre os termos “de revolução”. No final do século XIX, os historiadores começaram a usar o termo “revolução” quase como sinônimo de “ruptura” ao falar das independências na América Latina. No entanto, o historiador Gouvêa (1997) alerta que essa definição não fazia sentido fora do contexto americano e não justificava o uso do termo dessa forma.
De acordo com Bobbio, Matteucci e Pasquino (Dicionário-1998), uma revolução é um movimento que busca derrubar as autoridades políticas existentes e substituí-las para fazer grandes mudanças nas relações políticas, no sistema jurídico e na economia. Uma revolução é diferente de uma rebelião ou revolta, pois não quer voltar a uma ordem antiga, e também não é um golpe de Estado, já que não se trata apenas de trocar líderes políticos.
No Brasil, o termo “revolução” não se encaixa muito bem para falar das independências, ao contrário de outras partes da América Latina. Isso ocorre porque, na América Latina, as independências foram marcadas por movimentos nacionalistas fortes e muitas mudanças políticas, enquanto no Brasil, o processo foi mais moderado e manteve a monarquia e a escravidão.
Segundo Gouvêa (1997), a América Latina levou tempo para reconhecer suas próprias experiências de independência. Isso aconteceu porque, durante muito tempo, as histórias locais foram contadas a partir de uma visão europeia, o que dificultou a compreensão das independências latino-americanas como revoluções.
Para pensar: Me faz pensar sobre como a visão europeia influenciou a interpretação das independências latino-americanas e e como ainda impacta a forma como compreendemos nossas raízes políticas. E não somente nas Independências, mas como vimos, na historiografia da África também. Este trecho ” América Latina levou tempo para reconhecer suas próprias experiências de independência.” Tudo isso porque, as histórias locais foram contadas a partir de uma visão europeia. Como no Brasil, sob a visão Europeia foi “descobrimento do Brasil”, sob a visão dos povos originários que já estavam aqui foi “Invasão”.
O que define uma revolução?: Estou questionando sobre a ruptura com o passado, as mudanças sociais profundas e a maneira como é narrada pela história.
