História e Historiografia da África
O estudo das fontes escritas para a história da África pode ser dividido em dois grandes períodos: antes e depois do século XV. Esse século marca um momento importante, quando o contato entre a Europa e a África se intensificou, mudando a forma como as fontes escritas eram produzidas.
- A Importância das Fontes Orais
Grande parte das civilizações africanas transmitiu sua história de forma oral, o que não significa inferioridade em relação às sociedades com escrita. A tradição oral é fundamental para preservar a sabedoria ancestral e faz parte da cultura africana. No entanto, as fontes orais podem sofrer alterações ao longo do tempo, enquanto as escritas podem ser perdidas (como em incêndios). Ambas as fontes exigem um trabalho crítico e cuidadoso de verificação e análise.
Para entender as fontes orais, é essencial conhecer o contexto cultural em que foram criadas, já que a maneira como o tempo é contado e os fatos são narrados pode ser diferente das sociedades ocidentais. A comparação com fontes arqueológicas ou escritas pode ajudar a validar ou ajustar as informações, mas nenhuma fonte tem primazia absoluta sobre a outra. O historiador deve confrontá-las para alcançar uma visão mais precisa da história
Fontes escritas
Fontes escritas são documentos– Ao falar de fontes orais é preciso sim acreditar nelas, pois há muitas coisa, pois elas podem trazer informações. Ao se falar em fontes escritas é preciso também no sentido que de serem criticadas, não é por que algo está no papel ou gravado ou pintado que ele representa a verdade ( absoluta) sobre o passado. O historiador deve sempre tomar cuidado, para fazer uma critica coerente, saber observar na fonte a visão de quem escreveu aquele documento. Pois sim, nos informa sobre o passado, mas pode ser um olhar parcial. nenhuma fonte é completa e nehuma fonte fala por si mesma. E o historiador tem que analisar com rigor tudo isso.
- Período anterior ao século XV:
No texto da aula pude compreender mais a fundo. Na Antiguidade até o Islã (até 622 d.C.): As fontes escritas são raras, predominando as fontes arqueológicas. Na África Ocidental e Central, não há registros escritos conhecidos dessa época. No entanto, fontes egípcias, gregas (como Heródoto e Ptolomeu) e de autores romanizados no norte da África fornecem informações importantes.
Primeira Idade Islâmica (622 – 1050 d.C.): Após a expansão do Islã, começam a surgir mais crônicas, arquivos e registros escritos, principalmente no norte da África. É nessa fase que a África negra começa a aparecer mais nas fontes escritas.
Segunda Idade Islâmica (séculos XI – XV): Há um aumento significativo na variedade de fontes escritas, incluindo registros literários, políticos e administrativos, abrangendo até mesmo a África subsaariana com detalhes.
- Período posterior ao século XV:
Com a intensificação do contato entre Europa e África, há uma explosão na produção de documentos escritos, como correspondências, relatórios e registros comerciais. Esses documentos vêm de diversas origens (árabes, europeus, otomanos e africanos na diáspora) e aparecem em várias línguas (árabe, alfabeto latino e escritas autóctones). Novos formatos como biografias, genealogias, jornais e estatísticas ampliam a diversidade de registros escritos sobre a África.
Esse estudo sobre as fontes para a história da África mostra como é importante considerar diferentes tipos de registros e entender seus contextos culturais para reconstruir o passado de maneira mais completa e justa.
História e Historiografia da América Contemporânea
- Precursores da independência
Aprofundamos ainda mais nas independências, como vimos em 1780, iniciou-se a primeira revolta anticolonial na América espanhola. A “grande rebelião” foi uma revolta nativista liderada por Tupac Amaru II, nos vice-reinados do Peru e Rio da Prata.
No final do século XVIII, a tensão entre os colonos da América Latina e a Espanha aumentou, especialmente após as reformas bourbônicas, que reforçaram o controle espanhol sobre as colônias. Isso gerou os primeiros movimentos de independência na região.
- A Rebelião de Tupac Amaru II (1780-1781)
A primeira grande revolta anticolonial aconteceu em 1780, liderada por Tupac Amaru II nos territórios do Peru e Rio da Prata. Seu nome verdadeiro era José Gabriel Condorcanqui, e ele era descendente de incas, o que lhe deu um forte apelo entre os indígenas Quéchua.
O movimento começou perto de Cusco e rapidamente se espalhou pelo Peru. Tupac Amaru II usou suas conexões familiares e com comerciantes locais para reunir um grande exército de indígenas. Durante a revolta, ele:
-Aboliu a escravidão,
–Suspendeu a cobrança de impostos,
–Revogou as regras espanholas de divisão de terra.
Seu exército utilizou armas de fogo saqueadas dos espanhóis e armas brancas e flechas envenenadas produzidas por mulheres, crianças e idosos. No entanto, a morte de Tupac Amaru II em 1781 levou ao fim da rebelião, embora seu legado tenha inspirado outros movimentos no Peru.
- Francisco de Miranda e a Visão de União Latino-Americana (1810)
Outro precursor da independência foi Francisco de Miranda, um líder venezuelano que sonhava em criar uma grande nação latino-americana (excluindo Brasil, Guianas e ilhas caribenhas).
Miranda fez carreira no exército venezuelano e liderou um movimento que, apesar de não alcançar todos os seus objetivos, inspirou outros líderes a lutar pela independência na América Latina.
Impacto e Legado. Embora as revoltas de Tupac Amaru II e Francisco de Miranda não tenham atingido seus objetivos principais, elas:
–Abalaram o sistema colonial,
-Mostraram a força da organização popular,
-Prepararam o cenário para os movimentos de independência que viriam a seguir.
Para pensar:
Descobri que a forma de registrar a história (oral ou escrita) influencia a maneira como lembramos e interpretamos movimentos de resistência e independência. O trabalho do históriador é muito importante. O historiador deve sempre tomar cuidado, para fazer uma critica coerente.
Esse questionamento convida à reflexão sobre o papel da historiografia e da memória cultural na formação de identidades coletivas.
