Diário Acadêmico 6 ❖Processos de Independência: Estados Unidos, Haiti e a Periodização na História da África

História e Historiografia da África- Periodização

Hoje na aula vimos como os historiadores utilizam a periodização para organizar o tempo histórico e facilitar a compreensão das mudanças significativas ao longo do tempo. A periodização ajuda a identificar características dominantes de uma época em comparação com outras, construindo uma narrativa histórica coerente.
Periodizar não é neutro; envolve escolhas influenciadas pelas ideias e visão de mundo do historiador. Essas escolhas refletem as condições sociais e culturais de quem as faz, ou seja, são ideológicas. Quando se trata da história da África, é um desafio maior ainda. Não se pode simplesmente aplicar a periodização usada na história europeia, pois isso ignoraria as especificidades do continente africano. Por outro lado, também seria errado tratar a história africana como isolada, sem considerar as influências de outras regiões e povos.
A Unesco propôs uma periodização da história africana que é organizada assim:

Pré-história: 5,5 milhões de anos antes do presente a 3500 a.C.
Antiga: 3500 a.C. ao séc. VI
Séc. VII ao XI
Séc. XII ao XVI
Séc. XVI ao XVIII
Séc. XIX a 1880
Colonial: 1880 a 1935
Atual: 1935 em diante


Para fins didáticos das aulas, vimos uma divisão adaptada:
Pré-história: até 3500 a.C.
História antiga: 3500 a.C. ao séc. II a.C.
Período pré-colonial: séc. II a.C. ao séc. XIX
Período colonial: cerca de 1880 a 1960
Período pós-colonial: 1960 até o presente

Segundo o professor, essa divisão mais simplificada facilita nossos estudos nas aulas , mas não é perfeita. Ela pode dar muita ênfase à história recente e usar termos (pré-colonial, colonial, pós-colonial) que destacam demais a relação com a Europa. Ainda assim, a proposta é considerada útil, pois reconhece o impacto profundo do colonialismo europeu na história africana.

Foi indicado um livro , alis uma coleção de livros da Unseco sobre história da África- fiz o download de alguns volumes e gravei aqui no blog.

História e Historiografia da América Contemporânea

Vimos hoje hoje sobre as diferenças marcantes nos processos de independência dos Estados Unidos e do Haiti, que foram influenciadas pela forma como essas colônias foram administradas por suas metrópoles. Nos Estados Unidos, as Treze Colônias tinham certa autonomia e autogestão, já que não geravam tanto lucro para a Coroa britânica. Isso permitiu que se formasse uma elite coesa e independente, que liderou a independência como uma rebelião organizada contra o controle britânico, com participação popular.

  • Nas Treze Colonias, a autonomia era negociada sendo a base das relações sociais politicas e economicas
  • Em Saint- Domingue, onde a maior camada social era de pessoas escravizadas e libertas, a autonomia era sinônimo de liberdade e acesso á terra

Já no Haiti (antiga colônia de São Domingos), o cenário era bem diferente. Era uma colônia francesa extremamente lucrativa, com rígido controle da metrópole. A sociedade era composta majoritariamente por pessoas escravizadas e libertas, o que fez com que a ideia de independência estivesse ligada à liberdade e ao acesso à terra. A independência haitiana foi resultado de uma revolução de escravos, nascida de uma intensa disputa de poder entre as elites locais e a França.
É interessante ver como os dois primeiros países a se tornarem independentes na América tiveram experiências tão diferentes. Essas histórias mostram como o contexto colonial e as relações de poder influenciaram não só o modo como conquistaram a independência, mas também as desigualdades e desafios que ainda enfrentam.
Achei importante perceber como essas experiências moldaram as lutas por emancipação política em todo o continente americano.

Para pensar:
A periodização na história africana me faz pensar como o passado é complexo e ainda com uma visão geral ( equivocada) sobre a África ainda tão enraizado.Será que as divisões tradicionais ajudam a compreender a história da África ou apenas confunde mais? Como podemos aprender sobre o continente valorizando suas próprias dinâmicas históricas, sem ignorar as influências externas?
Na América, sobre os processos de independência dos Estados Unidos e do Haiti, fica claro como as relações de poder e os contextos sociais moldam a história de maneiras completamente diferentes. Mas me pergunto: Será que ao estudar essas independências conseguimos enxergar as raízes das desigualdades e dos desafios sociais que ainda existem no continente? E como podemos reinterpretar esses acontecimentos para inspirar novas formas de buscar justiça e liberdade? Ainda mais com tudo que está acontecendo nos EUA com o governo Tramp.

Deixe um comentário