Esta semana está sendo um pouco dificil. Tenho estado muito cansada e não tenho dormido bem, parte porque o Calebe as vezes me chama e tenho que ir no quarti deles e depois o Evandro me acorda para voltar ao meu quarto. Esse “acordar várias vezes” é ruim, pois interrompe o sono profundo. Mesmo com o feriado no meio da semana, não consegui “carregar as pilhas” de forma plena. Então não fui nada produtiva, não estudei o que deveria estudar da faculdade e não li totalmente os textos e isso me deixa insegura.
Mas as leituras não param. Estou lendo um livro de Shoshana Zuboff, uma brilhante professora, psicóloga social, filósofa e pesquisadora americana. Conheci o trabalho dela atraves de um documentário da Netflix. Esse livro está sendo uma ótima leitura paralela com minhas aulas da faculdade, principalmente em “História do Cotidiano”.
Neste livro, Shoshana Zuboff explora como as grandes empresas de tecnologia estão transformando nossas vidas de maneira profunda e muitas vezes invisível. Ela chama esse fenômeno de “capitalismo de vigilância”, que é um sistema em que nossos dados pessoais se tornam a principal mercadoria.
O capitalismo de vigilância coleta tudo o que fazemos online e até offline: cada clique, curtida, e até nossas conversas. Esses dados são analisados para prever e influenciar nosso comportamento — como o que compramos, assistimos ou até em quem votamos. Empresas como Google e Facebook lideraram esse modelo, ganhando poder sem que percebêssemos.
Zuboff também fala sobre as mudanças que a modernidade trouxe para nossas vidas. Ela usa histórias pessoais, como a jornada de seus bisavós para os EUA, para mostrar como as pessoas precisaram improvisar novos caminhos de vida. Mas, mesmo nessa liberdade, o sistema continuava oferecendo regras e papéis fixos.
Hoje, ela argumenta, o capitalismo de vigilância está destruindo nossa autonomia. Não escolhemos mais livremente; nossas escolhas são manipuladas pelas grandes corporações que nos conhecem melhor do que nós mesmos. Como sair desse controle E viver uma vida livre da vigilancia? A resposta para essa pergunta ainda não se encontrou.
Achei o livro instigante, mas desafiador. A autora mistura história, tecnologia e reflexões filosóficas, o que exige atenção. Gostei especialmente quando ela mostrou como o mundo mudou para seus bisavós — a coragem de sair do feudalismo e criar um novo caminho. Me relembra a mensagem central da minha música “Terras Desconhecidas”. Isso me fez pensar: será que estamos fazendo o mesmo hoje ou só seguimos o que nos impõem?
Uma frase que ficou comigo foi: “Viajante, não há caminho; o caminho se faz ao andar.” Pois anteriormente a esses livros eu tinha lido Antonio Machado. Parece um chamado para refletir sobre como criamos nossas vidas e o que deixamos de questionar. Estou pensando nisso há muito tempo!
