17 de Novembro de 2024

Faz muito tempo que não escrevo, foram muitas coisas desde Outubro! Estamos bem proximos do fim de 2024. É incrivel pensar que próximo mês já é Dezembro!

Hoje, terminei de ler 10 Argumentos para Deletar as Redes Sociais de Jaron Lanier, e fiquei profundamente impactada pelas reflexões que o autor traz sobre o impacto que as redes sociais têm na nossa vida, no nosso comportamento e até mesmo no nosso senso de identidade.

Uma das coisas que mais me surpreendeu foi o conceito de que, nas redes sociais, nós somos o produto. Isso parece óbvio em um primeiro momento, mas ao longo do livro, Lanier destrincha o quanto nossa vida online e nossos dados pessoais são coletados, manipulados e vendidos para interesses comerciais. Toda interação, cada clique, cada postagem nossa, não é apenas compartilhada: ela se torna parte de um grande banco de dados que alimenta o modelo de negócios dessas plataformas. E o que é mais perturbador é que, como usuários, estamos profundamente imersos nesse sistema, sem nem perceber completamente os impactos disso em nossas vidas.

Lanier também traz uma visão sobre o efeito das redes sociais na saúde mental, que me fez refletir sobre minha própria relação com elas. Ele argumenta que as plataformas são projetadas para nos manter presos, viciados, e isso tem gerado um aumento nos casos de ansiedade, estresse, depressão e, principalmente, comparação social. Isso realmente me atingiu, porque, como muitos, eu também uso as redes para compartilhar meu trabalho, como musicista e escritora. Só que, ao me aprofundar na leitura, percebi que, embora eu tente usar as plataformas de forma profissional, também me deixei influenciar por aquela busca incessante por validação externa. O desejo de likes, comentários e visualizações se tornou uma forma de medir meu próprio valor. E isso estava me fazendo muito mal.

O mais chocante para mim foi perceber o quanto isso me afetou de maneira silenciosa e insidiosa. Comecei a notar uma sensação constante de insatisfação e insegurança quando comparava meu trabalho ao de outros, como se a minha contribuição artística fosse constantemente pequena ou insuficiente em comparação ao que as redes sociais mostravam. Isso criou um ciclo de baixa autoestima, onde meu bem-estar emocional estava diretamente ligado à minha performance online. Não quero ser essa pessoa. E tudo tudo que vemos nas redes é ilusão total!

Lanier sugere que, para desintoxicar de tudo isso, precisamos repensar como nos movemos na internet. Ele propõe uma atitude mais consciente e seletiva em relação às plataformas, não se deixando manipular por algoritmos que priorizam o conteúdo sensacionalista ou destrutivo, mas sim criando um espaço digital mais autêntico, onde o tempo e a energia sejam usados de maneira construtiva. Ele também defende que devemos reverter a lógica de que nós somos os produtos das plataformas e passar a agir de forma mais autônoma, entendendo nosso papel na criação de conteúdo e no consumo de informação.

Esse livro, de uma forma ou de outra, me levou a repensar a maneira como estou lidando com minha presença online. Não quero mais ser refém desse sistema. Quero compartilhar meu trabalho e meus projetos com mais autenticidade e menos comparações, não em busca de aprovação externa, mas para realmente me conectar com quem compartilha dos meus interesses. Mais importante ainda, quero cuidar da minha saúde mental, não permitindo que as redes sociais determinem o meu valor como pessoa ou artista.

A mudança de comportamento que Lanier propõe me fez refletir profundamente sobre o tipo de relação que quero ter com as redes sociais. Em vez de buscar a validação das plataformas, quero construir uma presença online que seja mais genuína e mais libertadora, sem deixar que a vigilância e a manipulação digital me definam.

Espero, com esse diário de leitura, registrar não só as minhas impressões sobre o livro, mas também meu compromisso pessoal de transformar minha experiência digital em algo mais saudável e consciente.

Além de tudo o que já compartilhei sobre o livro 10 Argumentos para Deletar as Redes Sociais de Jaron Lanier, uma das ideias que mais me mexeu foi a questão do capitalismo de vigilância. Lanier faz uma crítica contundente sobre como estamos sendo tratados não apenas como “produtos”, mas como dados em um sistema que negocia nossas vidas, nossas preferências e até nossos sentimentos com grandes corporações. Isso me fez refletir sobre como as redes sociais, mais do que nunca, são a linha de frente de um mercado invisível que monitora e molda nossas escolhas e comportamentos.

O que me chocou particularmente é como estamos sendo vendidos para os grandes anunciantes. Não é apenas sobre nos oferecer produtos ou serviços; é muito mais profundo. Trata-se de negociar nosso futuro, o futuro de todos nós enquanto sociedade. Estamos constantemente sendo modelados e inflacionados como consumidores, mas isso vai além da simples troca de dinheiro. Somos manipulados em nossas ações, somos vigiados em nossos hábitos, e nossas emoções — nossos momentos mais íntimos — são agora commodities que alimentam esse mercado digital imenso.

Isso me levou a pensar no livro A Era do Capitalismo de Vigilância, de Shoshana Zuboff, que explora como essas práticas estão não só invadindo nossas vidas, mas transformando as pessoas e a sociedade. Lanier fala sobre isso de forma mais direta quando aponta como as redes sociais e seus algoritmos de controle nos tornam vulneráveis. E esse controle tem um custo enorme para nossa sociedade como um todo: a polarização. Nunca fomos tão desunidos quanto hoje.

As plataformas, com seu modelo baseado em engajamento, acabam alimentando discursos extremistas e dividindo ainda mais as opiniões públicas. Somos bombardeados com informações que confirmam nossas crenças, nossas frustrações e nossos medos, criando um ciclo que nos faz ver o mundo em termos de nós contra eles. Isso não só reforça a intolerância, mas também impede o diálogo genuíno entre diferentes grupos.

A polarização política e social que estamos vivendo hoje, especialmente entre os jovens, é um reflexo direto da forma como as redes sociais são projetadas para dividir e conquistar. Elas ganham mais com o conflito, com as disputas, com a indignação. E a conversa saudável? Isso fica de lado. O próprio conceito de verdade se dilui quando a fake news se espalha mais rapidamente do que qualquer fato verificado. Nunca a mentira teve tanta afirmação quanto hoje. E o mais assustador é que, muitas vezes, as pessoas já não sabem mais o que é real ou não. O que prevalece, no final, é o sensacionalismo, a raiva, o choque — e isso é muito lucrativo para as plataformas.

Em minha própria experiência, já percebi que, em um momento ou outro, as redes sociais me colocaram em contato com opiniões e conteúdos que eu mesma não escolheria. Mas os algoritmos funcionam de tal forma que eles te empurram para esses círculos viciosos. E a sensação de incerteza que isso gera em mim, como se o mundo estivesse desmoronando ao meu redor, é muito real.

Lanier e Zuboff têm uma visão comum: as redes sociais não estão apenas nos vigiando, elas estão nos transformando, criando uma sociedade mais fragmentada, mais incerta, mais manipulada. Quando falamos de jovens especialmente, isso se torna ainda mais claro. Eles estão sendo educados por algoritmos, suas percepções de si mesmos e do mundo estão sendo formadas não mais pelo que eles mesmos pensam, mas pelo que a plataforma quer que eles acreditem.

Tudo isso me fez pensar em como podemos sair desse ciclo. Se antes minha relação com as redes sociais era quase uma questão de sobreviver nelas — aceitando o sistema como ele é — hoje vejo que precisamos de um despertar coletivo. Precisamos entender como construir uma relação mais saudável com essas plataformas e, o mais importante, resgatar a nossa autonomia. Minha autonomia.

A reflexão de Lanier sobre como devemos nos mover na internet me trouxe um novo olhar. Ele sugere que, em vez de sermos manipulados pelas plataformas, devemos procurar redes mais descentralizadas, menos viciadas no controle e manipulação. Precisamos lutar contra esse sistema de vigilância massiva e retomar o controle das nossas informações pessoais.

Concluindo, esse livro me fez querer reavaliar minha presença nas redes sociais e na internet como um todo. É um espaço onde, além de ser observada, muitas vezes também sou parte de um jogo muito maior que não tem a ver com meus reais interesses ou com minha visão de mundo. Como artista e estudiosa da história eu já estava no instagram com esse instuito de compartilhar nada mais que meus projetos de música, descobertas historicas e coisas que aprendo. É uma ferramenta que se bem usada (com consciência), pode trazer muitos frutos bons. Assim como o Caio o faz , o Carlos Núñez e tantos outros que agregam valor. Mas decidi sair de algumas redes ontem. Desativei o facebook, TikTok, linkedin e todas aquelas que me deixavam presa e confusa! Só fiquei com o instagram, meu site, youtbe e a new sletter.

Quero compartilhar meus projetos de maneira autêntica e genuína, mas também preciso me proteger dessa lógica que busca dividir e vender. Acredito que é possível existir uma internet mais ética e mais conectada à realidade. Não sei se vou voltar ás essas redes, vou ficar 6 meses nesse caminho, depois disso vou avaliar.

É uma pressão muito grande, principalmente para quem vive de criar e compartilhar arte,esses pensamentos não são genuínos. Eles são reflexos do sistema, uma prova de que as plataformas conseguem, sim, afetar nossa psicologia e nos convencer de que precisamos delas para existir no mundo digital.

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