Seguindo na leitura, página 47: “Vós olhais para cima quando aspirais a vos elevar. Eu, como estou alto, olho para baixo. Qual de vós pode estar alto e rir ao mesmo tempo? O que escala elevados montes ri-se de todas as tragédias da cena e da vida. “
Nietzsche descreve a jornada do sábio como uma subida solitária, representada por uma árvore que cresce até as alturas, além da compreensão e alcance de outras criaturas. Essa solidão é vista tanto como um fardo quanto como uma fonte de autossuficiência. Ao escalar, o indivíduo se distancia da multidão e dos “leitores ociosos” que não buscam viver o conhecimento, mas apenas acumulá-lo passivamente.
Entrei no capitulo 45, da árvore á montanha – um jovem que Zaratustra encontra quer alcançar “as alturas” e experimentar a liberdade, mas é tomado pela solidão e pelo desprezo por tudo que deixa para trás. Nietzsche sugere que alcançar altos patamares de sabedoria e independência exige deixar para trás tanto a aprovação alheia quanto os próprios instintos inferiores, mas também adverte sobre o risco de um isolamento amargo que possa esgotar o desejo por seguir adiante. Zaratustra reconhece que o jovem não é verdadeiramente livre; ele apenas deseja a liberdade. Nietzsche, aqui, explora a ideia de que o verdadeiro caminho para a liberdade não é apenas o afastamento das amarras da sociedade, mas uma purificação profunda do próprio espírito. Ele descreve como os “maus instintos” — sentimentos de orgulho, inveja e desprezo — podem se esconder sob a busca pela liberdade e independência.A visão de Nietzsche é de que a ascensão espiritual e a sabedoria requerem uma combinação de coragem, humor e leveza. “Eu só poderia crer num Deus que soubesse dançar,” diz ele, sugerindo que a verdadeira elevação do espírito se dá na ausência de severidade, com um tipo de humor que desafia a própria tragédia da vida
Arvore que cresce
Essa parte pegou mesmo meu coração e me identifico muito! Nietzsche descreve a jornada do sábio como uma subida solitária, representada por uma árvore que cresce até as alturas, além da compreensão e alcance de outras criaturas. Essa solidão é vista tanto como um fardo quanto como uma fonte de autossuficiência. Ao escalar, o indivíduo se distancia da multidão e dos “leitores ociosos” que não buscam viver o conhecimento, mas apenas acumulá-lo passivamente. e – Nietzsche descreve a jornada do sábio como uma subida solitária, representada por uma árvore que cresce até as alturas, além da compreensão e alcance de outras criaturas. Essa solidão é vista tanto como um fardo quanto como uma fonte de autossuficiência. Ao escalar, o indivíduo se distancia da multidão e dos “leitores ociosos” que não buscam viver o conhecimento, mas apenas acumulá-lo passivamente.- me sinto exatamente assim – não que eu já tenha chegado ao patamar mais alto da sabedoria, me falta muito- mas me sinto solitaria assim e é um fardo quanto como uma fonte de autossuficiência, mas me sinto insuficiente ao mesmo tempo. e ainda busco aprovação alheia.
Acredito que esse sentimento toca num ponto profundo da jornada de quem busca sabedoria e autenticidade. Nietzsche, ao representar essa busca com a imagem de uma árvore solitária nas alturas, reconhece que o conhecimento verdadeiro — aquele que se vivencia, se transforma e gera uma liberdade interna — inevitavelmente separa o buscador do que é comum, ou de um convívio onde outros compartilhem da mesma profundidade. Até posso lembrar da minha musica: “ estou pisando em folhas de outono, e como essa árvore me sinto’. – Essa solidão nasce da diferença na maneira de ver e sentir o mundo, uma perspectiva que se constrói com esforço, ao mesmo tempo, Nietzsche traz à tona a sensação de insuficiência, que é algo que tantos, inclusive os mais sábios, experimentam. É como se ele dissesse que essa subida nunca termina; sempre há uma nova camada, um degrau a mais, algo que não se alcança completamente. Essa é uma sensação que o próprio Nietzsche conhecia e, de certa forma, admirava, pois para ele o conhecimento real é dinâmico, evolutivo.
Da segunda parte – pregadores de morte.
“Há pregadores da morte, e a terra está cheia de indivíduos a quem é preciso pregar que desapareçam da vida. A terra está cheia de supérfluos, e os que estão demais prejudicam a vida. Tirem-nos desta com o engodo da “eterna”! “Amarelos” se costuma chamar aos pregadores da morte, ou então “pretos”. Eu, porém, quero apresentá-los também sob outras cores. Terríveis são os que têm dentro de si a terra, e que só podem escolher entre as concupiscências e as mortificações.’
Nesse trecho, Nietzsche critica ferozmente os “pregadores da morte” — pessoas que desprezam a vida, rejeitando-a e promovendo uma visão de resignação e desesperança. Ele os acusa de serem “supérfluos,” ou seja, pessoas que estão na existência sem realmente vivê-la, quase como sombras de si mesmas. Esses indivíduos, em vez de enfrentarem a vida com força e vitalidade, veem apenas o sofrimento e a renúncia, pregando uma desistência antecipada de toda luta e ambição. Nietzsche considera essa postura uma ameaça, uma influência tóxica para aqueles que buscam afirmar a vida e encontrar nela significado.
Os “pregadores da morte” são aqueles que, ao invés de encararem as dificuldades e o sofrimento da vida, preferem focar apenas no lado sombrio da existência. Eles se apoiam em uma visão pessimista, na qual a única saída parece ser a morte ou a renúncia. Nietzsche ironiza o fato de eles justificarem essa visão chamando a vida de uma “loucura,” quando, para ele, a verdadeira loucura é essa fuga da realidade e a recusa de vivenciar a vida em toda a sua complexidade. Ele coloca esses indivíduos como “tísicos da alma” — pessoas que, espiritualmente, parecem estar doentes ou definhando.
A crítica se aprofunda quando ele descreve esses pregadores como aqueles que “sonham com as doutrinas do cansaço e da renúncia.” Para Nietzsche, esses indivíduos estão tão apegados à ideia de que a vida é puro sofrimento que, na prática, já começaram a morrer internamente. Suas almas perderam a capacidade de lutar, de se renovar e de crescer; estão paralisadas, desprovidas de vitalidade, e sua “sabedoria” é uma racionalização do próprio desânimo
Por fim, Nietzsche refuta a visão de que a vida deve ser desprezada simplesmente por seu sofrimento. Ele acredita que, ao invés de evitá-lo, o sofrimento deve ser encarado e superado como parte essencial da existência. Para ele, a vida é afirmada através da superação e da força de vontade, e não pela aceitação da derrota e da morte. Esse trecho funciona, então, como uma defesa poderosa da vida, da coragem e do entusiasmo, e uma condenação das filosofias que promovem a fraqueza, a resignação e o afastamento da realidade. Nietzsche desafia seus leitores a resistirem a essa mentalidade derrotista e a abraçarem uma existência que, apesar de imperfeita e difícil, é rica e digna de ser vivida.
Dos valores morais
Nietzsche explora a ideia de que valores morais e conceitos de bem e mal não são absolutos, mas variam entre povos e culturas. Segundo ele, cada povo cria sua própria “tábua de valores” com base no que considera honroso ou necessário para sua sobrevivência e sucesso, em seu contexto específico.
destaquei isso:
❖Valores como Construções Culturais: Nietzsche observa que o que é considerado “bom” em uma cultura pode ser visto como “ruim” ou “vergonhoso” em outra. Cada cultura cria seus próprios valores e, com eles, o que considera digno de respeito, honra, ou santidade. Por exemplo, enquanto a verdade e a habilidade com arco e flechas são valorizadas em uma cultura (ele menciona a cultura persa, famosa por sua habilidade no arco), em outras culturas, como a judaica, o respeito aos pais é essencial.
❖O Bem e o Mal Como Produtos Humanos: Nietzsche sugere que o bem e o mal não são entidades preexistentes ou revelações divinas. Pelo contrário, são criações humanas que refletem as necessidades e aspirações de cada povo, formuladas a partir do que esse povo necessita para se manter forte e triunfar. Dessa forma, ele afirma que “avaliar é criar”: as coisas só têm valor porque os humanos lhes atribuíram valor, moldando o significado de acordo com suas próprias necessidades de sobrevivência e poder.
❖ A Individualidade dos Valores: Em vez de ver os valores como universais, Nietzsche os vê como expressões do que um povo valoriza em sua luta para “existir” e se destacar. A “tábua de valores” representa aquilo pelo qual um povo quer ser reconhecido e admirado, criando uma “marca” ou identidade distinta. Cada cultura, então, cria valores que refletem sua “vontade de poder” – o desejo de crescer, se expandir e estabelecer uma posição de destaque entre os outros.
Chamado aos Criadores: Nietzsche termina essa passagem com um apelo aos “criadores” — aqueles que têm a capacidade de transcender valores herdados e criar novos valores e significados. Avaliar e criar são, para Nietzsche, os atos mais elevados, pois dão sentido à existência e moldam o mundo.
A criança e o espelho
um momento de transformação e renascimento para Zaratustra. Após ter visto no espelho a imagem de um demônio, em vez de sua própria face, ele se vê confrontado com a ameaça de que sua doutrina e ideias foram distorcidas por outros. Esse confronto é também um impulso para que Zaratustra se reconecte com o mundo e as pessoas, sejam amigos ou inimigos. Aqui estão os principais pontos a serem considerados:
❖ O Espelho e a Imagem Distorcida: Ao olhar no espelho e ver um demônio, Zaratustra percebe que sua doutrina foi corrompida ou mal interpretada. Isso representa o perigo de uma ideia, por mais pura que seja, se desfigurar quando outras pessoas a apropriam ou a adaptam. O espelho, portanto, é uma metáfora para o autoconhecimento, mas também para o modo como as ideias refletem algo diferente do que foi originalmente concebido.
❖ A Solidão e o Retorno ao Mundo: Zaratustra fala de sua “ventura” como algo avassalador, comparando-a a uma tempestade que rompe o silêncio e o leva de volta ao mundo. Ele estava há muito isolado nas montanhas, e esse retiro solitário lhe permitiu contemplar e criar. Agora, no entanto, ele sente que precisa retornar ao convívio das pessoas para compartilhar seu conhecimento e transbordar o amor que acumulou. A “ventura” representa, então, o desejo de compartilhar e de agir, rompendo o silêncio e a reclusão.
❖ Nova Linguagem e Criatividade: Zaratustra menciona que está cansado das “línguas antigas” e que busca uma “linguagem nova”, o que reflete o impulso de inovar e encontrar novas formas de expressar sua filosofia. Para Nietzsche, a criação não é apenas um processo mental, mas uma ação que exige uma renovação constante — cada nova ideia precisa de novos meios e expressões.
A Relação com Amigos e Inimigos: Neste ponto, Zaratustra começa a ver tanto amigos quanto inimigos como partes de sua missão. Os inimigos, de certa forma, também representam uma oportunidade, um desafio que mantém Zaratustra em movimento, pois ele percebe que até o conflito pode ajudar a fortalecer e testar seus ensinamentos. A lança que ele usa contra seus inimigos simboliza sua capacidade de confrontar e superar a oposição, e essa tensão com o outro é vista como uma parte vital do seu crescimento. O Fluxo do Amor Como um Rio: O “rio de amor” que Zaratustra sente dentro de si reflete o impulso incontrolável de compartilhar seu conhecimento e sua visão de mundo. Nietzsche compara esse amor a um rio que inevitavelmente encontrará o mar, indicando o desejo de Zaratustra de que seu ensinamento encontre um espaço de aceitação, um público receptivo, mesmo que precise “fustigar” o caminho, ou enfrentar desafios.
continua…
