24 de Outubro

Nesta semana de leituras, achei um pdf do livro de Berry Cunliffe, está em ingles, mas estou traduzundo com o chat gpt. Esses temas “celtas” e o estudo das culturas celtas são cercados por mitos e diversas interpretações. Na introdução, Cunliffe escreve sobre uma famosa palestra nos anos 60, o escritor e professor J.R.R. Tolkien, conhecido por sua obra “O Senhor dos Anéis”, criticou a forma como os estudiosos usavam o termo “celta”. Ele até disse que “celta” era como um “saco mágico” de onde se tirava qualquer coisa, sugerindo assim, que o termo era utilizado de maneira muito vaga e, muitas vezes, desconectando da realidade histórica.
Essa crítica apontava para um problema maior nos estudos celticos: a mistura de etimologias linguísticas, literatura, arqueologia e até nacionalismo para criar uma visão idealizada dos celtas. Na verdade, a imagem que muitas pessoas têm dos celtas – é muitas vezes baseada em interpretações incompletas ou distorcida dos dados históricos.

Construção de Mitos

A ideia de uma “Era Crepuscular Celta”, mencionada por Tolkien, reflete esse imaginário popular que enche a cultura celta de mistério e magia. Contudo, segundo ele, esse “crepúsculo” não era tanto um declínio dos deuses, mas sim da razão. Tolkien criticava o fato de que, em vez de uma análise racional dos dados, muitos estudiosos estavam, na verdade, projetando suas próprias ideias e desejos sobre o que os celtas foram ou representaram.

Nos anos 60, quando Tolkien publicou sua crítica, arqueólogos começaram a questionar o conceito amplamente aceito de “sociedade celta”. Eles argumentavam que os termos “celta” e “céltico” estavam sendo usados de maneira tão ampla que haviam distorcido as descobertas arqueológicas. Alguns estudiosos chegaram a sugerir que os “Antigos Celtas da Grã-Bretanha e Irlanda” eram uma invenção moderna, construída a partir de fragmentos de evidências misturadas com interpretações romantizadas.

Debates em Torno da Origem dos Celta

Uma das grandes questões que surgiram foi: Quando e onde os celtas realmente surgiram? A visão tradicional era que a “cultura celta” começou no final da Idade do Bronze, por volta de 1200 a.C., na Europa Central. Dizia-se que a língua celta se desenvolveu junto com essa cultura e se espalhou para o sul, leste e oeste da Europa.

Contudo, a partir da década de 1990, uma nova hipótese começou a ganhar força. Ela sugere que a língua celta pode ter se desenvolvido muito antes, na zona atlântica, e que essa língua teria se espalhado como uma “língua franca” (uma língua comum) durante o terceiro milênio a.C., especialmente durante o movimento de povos conhecido como Fenômeno Beaker.

John T. Koch,um brilhante historiador e linguista americano especializado em Celtologia – Também nos oferece uma perspectiva enriquecedora sobre como essas narrativas e idiomas podem ter se desenvolvido e interagido ao longo do segundo e terceiro milênios. Através de uma análise detalhada que entrelaça arqueologia, genética e filologia, Koch nos faz reconsiderar as teorias tradicionais sobre a chegada dos indo-europeus às Ilhas Britânicas e a formação das línguas celtas.

Palavras Finais

A crítica de Tolkien e o debate em torno da verdadeira origem e natureza dos celtas mostram que a história raramente é uma linha reta. O que sabemos sobre os celtas – ou pensamos que sabemos – é muitas vezes o resultado de séculos de estudos que misturam fatos, mitos e interpretações subjetivas. Mas, como esses debates ainda continuam, a história celta segue sendo um campo vibrante e em constante transformação.

Seja como música, história ou cultura popular, o estudo dos celtas continuará nos desafiando a separar os mitos da realidade e a questionar o que realmente sabemos sobre esses povos antigos.

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