3 de outubro de 2024

Hoje, relembrando a leitura do livro Passado futuro de Reinhard Kosseleck, como a arte carrega grandes historias e nos faz refletir.

Diante da grandiosa A Batalha de Alexandre em Isso, a pintura de Albrecht Altdorfer, é impossível não se sentir transportado — não só para um campo de batalha distante, mas para as profundezas do tempo e do destino humano. Essa não é apenas uma obra que retrata uma vitória histórica; ela nos coloca em contato com a visão de um artista que enxergava além da superfície dos acontecimentos. Altdorfer nos oferece, de forma magistral, uma meditação sobre a passagem do tempo e sobre a persistente ligação entre o passado e o presente.

Pintada há mais de 500 anos, essa obra não é somente sobre Alexandre e sua vitória. Ela reflete também os medos e as inquietações do próprio tempo de Altdorfer, uma época marcada pela ameaça iminente da expansão otomana e pelas visões apocalípticas da Igreja. Era como se a pintura de Alexandre lutando em Isso fosse um espelho, onde o povo da época pudesse enxergar seus próprios medos e batalhas. O pintor parece nos lembrar que, assim como Alexandre e Dario enfrentaram-se na Antiguidade, também os europeus daquela época enfrentavam seu próprio destino, temendo invasões e catástrofes.

Hoje, esse quadro ainda nos provoca, mesmo em um contexto totalmente diferente. A beleza da obra está justamente nisso: ao observarmos Alexandre, podemos nos perguntar sobre o que permanece inalterado em nós. Altdorfer nos instiga a refletir sobre o que as grandes batalhas da história nos ensinam — e, talvez mais importante, sobre como essas lições se aplicam ao nosso presente.

Afinal, será que as batalhas de hoje são realmente diferentes? Talvez não estejamos mais em campos de batalha como outrora, mas enfrentamos, a cada dia, disputas de poder, conflitos internos, lutas por justiça e sobrevivência. A pintura nos sussurra que, apesar de os cenários mudarem, a essência das batalhas humanas — sejam elas externas ou internas — continua a mesma. Altdorfer nos lembra que o passado nunca desaparece; ele se reflete continuamente no espelho do presente, nos incitando a aprender e a resistir.

Talvez a verdadeira pergunta seja: estamos realmente aprendendo?

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