11 de setembro de 2024

Essas últimas semanas, com a estreia da nova temporada de Os Anéis do Poder, têm sido como uma viagem de volta ao mundo de Tolkien. Revisitei meus cadernos de leituras, relembrando o impacto de suas palavras, especialmente sobre um tema que nunca envelhece: o poder e sua influência na alma humana.

Tolkien, como ninguém, captou o perigo escondido na ânsia de poder. Em suas histórias, ele nos mostra que o poder, por mais que seduza com promessas de glória e controle, traz sempre um preço. Ele disse uma vez: “O poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente.” Palavras simples, mas que contêm a essência de uma verdade profunda. Quando alguém possui poder demais — sem limites, sem responsabilidade — essa pessoa passa a se tornar outra. A sede por mais controle distorce o espírito, até que a bondade e a empatia dão lugar ao egoísmo e à tirania.

Os personagens de Tolkien nos mostram isso de forma quase palpável. Pense em Gollum, que era um ser comum antes de conhecer o Anel. Seduzido pelo seu poder, ele não apenas se transforma fisicamente, mas seu espírito é tomado por uma obsessão que o desfigura. E o que dizer de Saruman? Um sábio, cheio de boas intenções, que aos poucos se entrega à tentação do domínio. Cada escolha errada, cada passo em direção ao controle total, vai corroendo o que havia de melhor neles. Tolkien nos lembra, por meio desses personagens, que o verdadeiro perigo do poder não está nas mãos, mas na alma.

E, ao pensar em nossa própria era, o contraste é inevitável. Hoje, vivemos cercados de tecnologias, plataformas e redes sociais que nos dão a sensação de controle e influência. Tudo ao nosso alcance, ao toque de um botão. Mas será que, de alguma forma, também estamos sendo corrompidos? Em uma sociedade que parece valorizar o “ter mais” e o “ser visto” acima do “ser verdadeiro”, estamos todos, de alguma maneira, lidando com nosso próprio “Anel do Poder”. Na ânsia de ser “visto” ou “admirado,” o ser humano se arrisca a perder de vista o que é essencial, a alma verdadeira.

A visão de Tolkien é um alerta e um convite: que possamos resistir ao desejo de controle e lembrar que o verdadeiro poder está em viver com simplicidade, em preservar nossa humanidade e em buscar aquilo que traz paz. Porque, ao final, talvez a maior lição de Tolkien seja justamente essa: o poder pelo poder só leva ao vazio, enquanto o amor, a amizade e a bondade é que realmente nos tornam completos.

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