Sexta feira foi o lançamento de Terras Desconhecidas. É curioso como, em meio à correria de gravações, produções e planejamentos, a música nos leva a questionar por que ela é tão essencial para nós, para a experiência humana em si. Ao longo dos anos, essa pergunta tem reverberado em mim, e hoje sinto que ela encontrou um lugar em minha nova composição. Terras Desconhecidas não é apenas uma música para ser ouvida, mas uma conversa — uma ponte que eu espero que toque algo profundo e antigo em quem escutar.
A música, afinal, fala uma língua própria, silenciosa e poderosa, que nem sempre precisa de palavras para traduzir o que sentimos. Ela pode ser alegria ou tristeza, esperança ou saudade, uma linguagem invisível capaz de unir pessoas de diferentes culturas e tempos. Quando componho, sinto que estou entrando numa conversa que já dura milênios, em uma sintonia com Deus, com o invisível. Aristóteles certa vez disse que “a música é celeste, de natureza divina e de tal beleza que encanta a alma e a eleva acima da sua condição.” Essa frase me inspira profundamente, pois também acredito nesse poder: a música nos molda para o bem, ou para o mal, dependendo de como a usamos. Platão, outro sábio do passado, alertava que ela tem o poder de modelar nossa alma, de nos guiar, de nos transformar. Que responsabilidade é essa, então, que sentimos ao criar uma melodia?
Outro grande pensador e estudioso da alma humana foi Platão, e ele tinha essa preocupação. Platão especificou o tipo de música que era ideal para o homem. Platão apostava na influência da música na alma humana, acreditando que a música seria capaz de modelar o ser humano para o bem, quando bem utilizada, ou para o mal, se usada de forma inadequada. A música é uma poderosa expressão de identidade cultural. Ela carrega consigo a história, as tradições e os valores de um povo. A música celta, por exemplo, é rica em mitos, lendas e histórias de resistência e sobrevivência. Ao explorar minhas próprias raízes hispano-americanas e unindo ao celta, começo a escolher o melhor dos dois e assim transmitir minha mensagem. Saber da história de um povo também é saber sua história músical. Essa herança musical não apenas enriquece minha vida, mas também oferece um senso de pertencimento e continuidade. Escrevi em meu site um post passado, o Porque cantamos- As primeiras civilizações utilizavam canções e cânticos como uma forma de se conectar com o desconhecido, buscar proteção e encontrar significado nas suas jornadas. Quando a jornada era longa rumo a novas terras, eles também cantavam. Os povos antigos olhavam para o céu, observavam as estrelas e encontravam nelas uma guia, como um gps que apontava o caminho para um lugar. Estudos mostram que a música tem um impacto significativo no desenvolvimento humano, especialmente na infância. Ela estimula o cérebro, melhora as habilidades cognitivas e motoras e promove o bem-estar emocional.
Hoje, ao lançar essa canção, sinto que estou oferecendo uma parte de mim, e espero que, ao ouvir Terras Desconhecidas, as pessoas possam se conectar a essa mesma força: a música como uma linguagem universal, um abraço que une gerações, que reflete a beleza e as lutas da nossa experiência humana. É minha oração, meu convite, para que cada nota desperte uma sensação de pertencimento e conexão.
Que essa música encontre quem precise dela.
