1984 by George Orwell

Neste domingo, iniciei a leitura de “1984” de George Orwell. Apesar de já ter lido “A Revolução dos Bichos”, eu deveria ter começado por este livro, pois traz uma visão mais ampla e impactante da crítica ao totalitarismo. Mesmo assim, ambos são essenciais para entender a crítica social e política feita por Orwell.

George Orwell escreveu “1984” em 1949, em um período de pós-guerra, onde o medo de regimes totalitários estava em seu auge. A obra é uma distopia que retrata um futuro onde a liberdade individual é suprimida e a manipulação da verdade é usada como ferramenta de controle. Apesar de ter sido escrita há mais de 70 anos, a narrativa parece prever aspectos da sociedade contemporânea, como a vigilância constante e a manipulação midiática e principalmente as telas, hoje temos telas em todos os lugares ( smartfones, cameras, smarttv’s etc).

A história segue Winston Smith, um cidadão que vive na Oceânia, uma das três superpotências mundiais do livro. O regime totalitário é liderado pelo Partido e personificado na figura do Grande Irmão (Big Brother), que vigia cada movimento dos cidadãos através das teletelas. A vida de Winston é marcada por vigilância incessante, censura e a constante ameaça de ser punido por qualquer pensamento ou atitude que contradiga as normas do Partido.

Principais Temas e Reflexões:

  1. Totalitarismo e Vigilância: A teletela é um dispositivo que nunca pode ser desligado e que serve tanto para transmitir informações do governo quanto para monitorar os cidadãos. Essa descrição lembra muito nossos dispositivos modernos, como smartphones e câmeras de segurança. A ideia de ser constantemente vigiado, mesmo em momentos de privacidade, causa um desconforto e uma sensação de impotência. Orwell anteviu o quanto a tecnologia poderia ser utilizada para fins de controle, algo que vemos se concretizar hoje com a coleta de dados pessoais e monitoramento constante.

“Até em uma moeda os olhos o perseguiam. Em moedas, em selos, em capas de livros, em bandeiras, em cartazes e em maços de cigarros: em todo lugar. Sempre os olhos vigiando e a voz envolvendo você. Dormindo ou acordado, trabalhando ou comendo, dentro ou fora de casa, no banho ou na cama: sem escapatória. Nada lhe pertencia, a não ser os poucos centímetros cúbicos dentro do crânio.”

  1. Manipulação da Verdade: O Partido controla o passado e o presente. Eles constantemente reescrevem a história para que ela se alinhe às narrativas atuais, apagando eventos ou pessoas que se tornaram inconvenientes. Esse fenômeno, conhecido como “duplipensar”, faz com que as pessoas acreditem em duas verdades contraditórias ao mesmo tempo. No mundo contemporâneo, isso lembra a disseminação de fake news e a distorção dos fatos para manipular opiniões. Vemos bolhas de informação se formando, onde grupos se isolam em suas próprias realidades, tornando-se incapazes de aceitar uma visão diferente.
  2. Desumanização e Resistência: Winston começa a questionar o sistema e a buscar uma forma de resistência, mesmo sabendo que qualquer ato contra o Partido é fútil e perigoso. Sua relação com Julia, uma colega de trabalho, representa um ato de rebeldia, pois em Oceânia até o amor é regulamentado. Essa luta interna de Winston para manter sua humanidade, apesar da repressão total, faz com que questionemos o quanto podemos resistir a sistemas opressores sem perder nossa essência.
  3. Os Proletas: Um ponto interessante é a visão que Winston tem dos proletas, a classe trabalhadora. Eles são a maioria, mas vivem à margem do sistema opressor, não sendo considerados uma ameaça. Winston percebe que, apesar da ignorância e da pobreza, os proletas mantêm sua humanidade, suas emoções genuínas. Eles são uma esperança de que o espírito humano pode sobreviver, mesmo nas piores circunstâncias. Isso nos leva a refletir sobre como, na nossa sociedade, aqueles que estão à margem do sistema, sem tanto acesso à informação ou influência, podem manter uma certa pureza e autenticidade que os demais já perderam.
  4. O Futuro da Humanidade: Winston se pergunta se algum dia haverá um futuro onde os homens possam ser livres, pensar sem medo e viver sem serem controlados. Esse desejo por liberdade e verdade nos faz refletir sobre nossa própria época. Será que conseguiremos preservar nossa humanidade diante de tantas pressões e avanços tecnológicos que ameaçam nossa privacidade e liberdade de pensamento?

“Ao futuro ou ao passado, para uma época em que o pensamento seja livre, quando os homens forem diferentes uns dos outros e não viverem sozinhos; para uma época em que a verdade exista e o feito não possa ser desfeito: Da época da uniformidade, da época da solidão, da época do Grande Irmão, da época do duplipensar: saudações!”

Conclusão

“1984” nos força a refletir sobre os limites da liberdade e da verdade em uma sociedade controlada. A opressão narrada no livro pode parecer distante, mas as semelhanças com nossos tempos são inegáveis. Como manter nossa humanidade e nossa capacidade de pensar criticamente quando estamos cercados por tecnologias que parecem nos vigiar e nos moldar constantemente? Orwell nos deixa com essa reflexão inquietante e necessária.


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