Acabei minha leitura do livro Utopia de Thomas More, confesso que era um pouquinho diferente do que eu imaginava. Algumas partes se tornou um pouco maçante, talvez pela linguagem que é bem antiga. Imagine! Era a época da Renasença, então muitas palavras e formas de escrever muda muito.
Gostei muito do personagem principal: Rafael Hitlodeu um marinheiro, nascido em Portugal. Rafael tinha grande conhecimento do mundo em suas viajens tinha muito a ensinar, era um verdadeiro pensador. E no começo Thomas e seu outro amigo tentaram convence-lo a se associar a corte, pois eles acreditavam que sua sabedoria muito ajudaria ao rei. Mas Rafael é firme em sua posição, referindo que a sua visão é demasiado radical e não seria ouvido. Rafael cita Platão, ao afirmar que os reis só admitiriam filósofos em suas cortes se eles mesmos estudassem filosofia. Ao contrário disso, no entanto, os reis cedo costumam ser infectados com corrupção, bajulaçao e más opiniões.
Utopia é localizada no Novo Mundo. Thomas relaciona as viagens de Rafael às verdadeiras viagens de descobrimento de Américo Vespúcio. Ele sugere que Rafael é um dos 24 homens que Vespúcio teria deixado em Cabo Frio. Rafael, então, viaja mais além e encontra a ilha de Utopia, onde passa cinco anos observando os costumes dos nativos.
Ao meu ver, talvez a única crítica que eu posso escrever é que a obra seria a impossibilidade de sua realização prática no mundo real, já que os valores e a cultura de cada sociedade são moldadas ao longo da história humana, por diversas determinantes, sendo que, em “A Utopia”, a sociedade a e seus valores fundantes foram totalmente originados de uma só fonte, a pessoa de seu fundador, o Rei Utópos. Aah mas seria maravilhoso essa sociedade, não é mesmo?
Alguns tópicos que achei interessante:
“Se vós permitis que alguém seja pessimamente educado, e que desde a tenra idade seus costumes sejam aos poucos corrompidos, e que então, na idade adulta, esse alguém seja punido por aqueles crimes que na infância foram consentidos, o que fazeis, pergunto eu, senão ladrões, para depois os castigardes?’” Esse é um tópico para se pensar ainda em nossos dias!
“A maioria das pessoas não conhece a literatura, e muitos a desprezam. O bárbaro rejeita como duro tudo aquilo que não é inteiramente bárbaro; o pedante desdenha como trivial de tudo o que não está repleto de palavras obsoletas; a uns só agradam as obras antigas, a outros, apenas as suas próprias obras. Este é tão sombrio que não admite brincadeiras; aquele é tão insosso que em nada acha graça, e tem o nariz tão achatado que foge de qualquer um que tenha nariz, como um cão raivoso foge da água; outros são tão volúveis que decidem de um modo quando estão assentados, e de outro quando estão de pé. Uns se sentam nas tavernas e, entre copos, julgam o talento dos escritores e, com grande autoridade e por capricho, os condenam por seus escritos, como se lhes puxassem a barba, quando eles próprios se encontram seguros, e, como se costuma dizer, “fora do alcance dos tiros”, pois esses homens bons são tão graciosos e escanhoados que não têm sequer um pelo por meio do qual possam ser pegos.” Esse é outro tópico que retrata bem o que acontece nos dias atuais sobre a literatura; Muitos querem estar”fora do alcance dos tiros” ou seja fácil é julgar e criticar, mas eles mesmo fazer algo que agregue valor, nada e posso até imendar com as palavras de Todorov: “Eu acredito que o papel dos intelectuais não é seguir a corrente, mas buscar liberdade, pedir, transmitir os resultados de suas pesquisas e não ter medo”.
Ao todo, gostei muito dessa leitura, perceber a visão que se tinha naquela época e alguns problemas continuam os mesmos e eram expostos pelos pensadores da época de forma brilhante. Há vezes penso em todos os problemas de nossa época, tantas mentiras, ideologias e discordias sendo cada vez mais crescente e pergunto, onde estão os pensadores do nosso tempo? Onde estão essas pessoas que não se escondem no “senso comum” e mesmo que seja na contramão, nos chama á razão de forma tão brilhante como Thomas, fazia, Voltaire, Descartes, Kant, Todorov…
