Iniciei hoje a leitura de Utopia, de Thomas More, estou me divertindo! Ele fala muitas verdades e muitas dessas verdades me identifico, pois é o que penso também.
O prefácio, no livro, é a carta que Thomas escreveu á Pieter Gillis juntamente com o manuscrito de Utipia. Pieter Gillis foi uma voz do humanismo no Renascimento. Gillis era editor e um magistrado na cidade de Antuérpia, uma cidade da Bélgica. Além de Thomas, Gillis era muito amigo de Erasmo de Roterdã.
Bom, sobre o inicio do livro, entre as instruções para a edição do livro ele começa a dizer que : que ainda não tinha se convencido que o livro deveria mesmo ser publicado:
“A maioria das pessoas não conhece a literatura, e muitos a desprezam. O bárbaro rejeita como duro tudo aquilo que não é inteiramente bárbaro; o pedante desdenha como trivial de tudo o que não está repleto de palavras obsoletas; a uns só agradam as obras antigas, a outros, apenas as suas próprias obras. Este é tão sombrio que não admite brincadeiras; aquele é tão insosso que em nada acha graça, e tem o nariz tão achatado que foge de qualquer um que tenha nariz, como um cão raivoso foge da água; outros são tão volúveis que decidem de um modo quando estão assentados, e de outro quando estão de pé. Uns se sentam nas tavernas e, entre copos, julgam o talento dos escritores e, com grande autoridade e por capricho, os condenam por seus escritos, como se lhes puxassem a barba, quando eles próprios se encontram seguros, e, como se costuma dizer, “fora do alcance dos tiros”, pois esses homens bons são tão graciosos e escanhoados que não têm sequer um pelo por meio do qual possam ser pegos.”
“Pois os paladares dos mortais são tão variados, e tão caprichosos os temperamentos, tão ingratos os ânimos e tão absurdos os juízos, que me parece preferível seguir aqueles que alegres e risonhos amansam seu gênio, a acompanhar aqueles outros que se torturam com a preocupação de publicar alguma coisa que possa ser útil ou agradável”
Ao ler esses trechos percebo como é atual! Não mudou nada a disposição das pessoas para os escritos que realmente agregam valor, arte e poesia. Thomas More escreveu este livro na Renascença e ainda assim retrata os nosso dias. E ele ainda continua: “”E há, além disso, aqueles que são tão ingratos que, embora a obra muito os deleite, não gostam nada do autor, não sendo diferentes dos rudes hóspedes que, apesar de serem recebidos com um opíparo banquete, já saciados retornam finalmente para casa, sem nada agradecer àquele que os convidou. Vai lá tu, então agora preparar às tuas expensas uma refeição para homens de tão delicado paladar e tão variados gostos, dotados de tamanha memória e gratidão!” – Compartilho deste sentimento
Continuo a leitura e vou registrando tudo por aqui…
