Desta semana- Como já tinha escrito aqui, resolvi acompanhar as aulas de Métodos de leituras da USP, em paralelo ás aulas da Uninter deste semestre. E como tem sido maravilhoso! Uma das coisas que mais me deixam maravilhada é aprender sobre novas culturas. Perceber sua escrita, sua arte e linguagem, tudo isso amplia nossa visão de mundo. Estamos analisando a obra “Tempo e espaço na cultura Japonesa” de Shuichi Kato.

Shuichi Kato, é um autor e reconhecido pelos seus trabalhos sobre literatura e cultura japonesasem seus escrtos ele apresenta um verdadeiro tratado sobre a nação japonesa a partir de dois conceitos-chave: o tempo e o espaço. Kato escreveu este livro para avaliar o tempo na sociedade ocidental,com outras culturas e assim, chegar ao tempo japonês com influência na linguagem, música, arte, religião, etc
A leitura explora textos sobre a cultura japonesa, destacando a importância de entender o contexto histórico e cultural para uma leitura mais rica e informada.
“O passado do mundo deságua no presente do falante, e o futuro do mundo escorre no presente do Falante”–– SHUICHI KATO

Shuichi Kato nasceu em Tóquio, em 1919. Hematologista formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de Tóquio, onde dedicou-se à pesquisa no início da carreira, Kato instalou-se na França em 1951 e retornou ao Japão em 1955, dedicando-se então exclusivamente à escrita. Nos anos 1960 lecionou no Canadá e na Alemanha, e fez numerosas viagens de estudos pelo mundo, o que o levaria a escrever: Shuichi Kato nasceu em Tóquio, em 1919. Hematologista formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de Tóquio, onde dedicou-se à pesquisa no início da carreira, Kato instalou-se na França em 1951 e retornou ao Japão em 1955, dedicando-se então exclusivamente à escrita. Nos anos 1960 lecionou no Canadá e na Alemanha, e fez numerosas viagens de estudos pelo mundo, o que o levaria a escrever: Refletindo sobre o pensamento estrangeiro e o pensamento autóctone como dois vetores, tomei como resultado da composição vetorial a “japonização” do pensamento estrangeiro.” Manteve a partir dos anos 1970 a cátedra de História Intelectual do Japão na Universidade Sophia, em Tóquio
Foi ao longo de toda a sua vivência dentro e fora do Japão que Shuichi Kato , que é historiador de literatura e acadêmico, observou as diferenças na produção cultural de seu país com relação à da Europa e América do Norte. Kato concluiu esta obra, algo como um epílogo a seu pensamento, pouco antes de falecer, em 2008.
Um dos conceitos centrais discutidos no livro é a ideia de transitoriedade, um tema recorrente na literatura japonesa. A transitoriedade, ou “mujō”, é a noção de que tudo é efêmero e passageiro. Na literatura, isso é frequentemente representado através das estações do ano, que simbolizam a constante mudança e o ciclo da vida. Ao aplicar métodos de leitura que reconhecem e refletem sobre esses símbolos, podemos alcançar uma compreensão mais profunda dos textos e dos temas que eles exploram. Em japonês, as palavras jikan (“tempo”) e kūkan (“espaço”) compartilham um mesmo ideograma (間), que por si só contém o significado de tempo-espaço quando pensado em termos de intervalo temporal ou espacial.
Outro destaque na leitura é a “presentificação”, uma técnica que permite ao leitor e ao escritor transcender as barreiras do tempo. Na literatura japonesa, é comum que os eventos sejam descritos como se estivessem ocorrendo no presente, mesmo que se refiram ao passado ou ao futuro. Isso cria uma experiência de leitura mais imersiva e ajuda a destacar a relevância atemporal dos temas abordados. Ao adotar essa abordagem, os leitores são convidados a se juntar ao narrador em uma jornada através do tempo, experimentando cada cena como única e atual.
Seja através da contemplação da transitoriedade, da imersão na presentificação ou do reconhecimento do simbolismo das estações, esses métodos nos permitem experimentar a literatura de uma maneira mais significativa e enriquecedora.
